sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Basílica de São Pedro em 360 graus




Estudantes Universidade de Villanova, na Pensilvânia (Estados Unidos) trabalharam por dois anos: coletaram fotos e tentaram inúmeras simulações. Usaram uma câmara motorizada de borda, com uma alta resolução e tridimensional.


Eventualmente colocaram seu extraordinário trabalho na internet, acessível a todos.

Todos podem agora visitar virtualmente essas obras maravilhosas:

Clique em um dos quatro itens listados abaixo. Isto irá abrir a página do site com a imagem de sua escolha.

Olhe assim: segure o botão esquerdo do mouse para mover a imagem em todas as direções e use a roda de rolagem para o zoom.



http://www.vatican.va/various/cappelle/sistina_vr/index.html


http://www.vatican.va/various/basiliche/san_pietro/vr_tour/index-en.html


http://www.vatican.va/various/basiliche/san_paolo/vr_tour/index-it.html


http://www.vatican.va/various/basiliche/san_giovanni/vr_tour/Media/VR/Lateran_Nave1/index.html


B O M  PASSEIO !

Os anos ocultos de Jesus


por Eduardo Szklarz e Alexandre Versignassi

O Novo Testamento contém 27 livros, 7 956 versículos e 138 020 palavras. E uma única referência à juventude de Jesus. O Evangelho de Lucas nos conta que, aos 12 anos, ele viajou com os pais de Nazaré a Jerusalém para celebrar o Pessach, a Páscoa judaica. Quando José e Maria retornavam a Nazaré, perceberam que Jesus tinha ficado para trás. Procuraram o garoto durante 3 dias e decidiram voltar ao Templo, onde o encontraram discutindo religião com os sacerdotes. "E todos que o ouviam se admiravam com sua inteligência" (Lucas 2:42-49). 
Isso é tudo. Jesus só volta a aparecer no relato bíblico já adulto, por volta dos 30 anos, ao ser batizado no rio Jordão por João Batista. É quando o conhecemos realmente. Da infância, as Escrituras falam sobre o nascimento em Belém, a fuga com os pais para o Egito - para escapar de uma sentença de morte impetrada por Herodes, rei dos judeus - e a volta para Nazaré. Da vida adulta, o ajuntamento dos apóstolos e a pregação na Galileia, além do julgamento e da morte em Jerusalém. Mas o que aconteceu com Jesus entre os 12 e os 30 anos? Qual foi sua formação, o que moldou seu pensamento nesses 18 "anos ocultos"? Afinal, o que ele fez antes de profetizar na Galileia? 
A notícia para quem deseja reconstruir o Jesus histórico é que novas análises dos Evangelhos, documentos históricos e achados arqueológicos nos dão pistas sobre a sociedade da época. E dessa forma podemos chegar mais perto de conhecer o homem de Nazaré. E entender o que passava em sua cabeça.
 


O pedreiro cheio de irmãos
Uma coisa é certa. Aos 13 anos, Jesus celebrou o bar mitzvah, ritual que marca a maioridade religiosa do judeu. E é bem provável que ele tenha seguido a profissão de José, seu pai. Carpinteiro? Talvez não. "Em Marcos, o mais antigo dos Evangelhos, Jesus é chamado de tekton, que no grego do século 1 designava um trabalhador do tipo pedreiro, não necessariamente carpinteiro", diz John Dominique Crossan, um dos maiores especialistas sobre o tema. Para o historiador, os autores de Mateus e Lucas, que se basearam em Marcos, parecem ter ficado constrangidos com a baixa formação de Jesus. E deram um jeito de melhorar a coisa. Mateus (13:55) diz que o pai de Jesus é que era tekton. E Lucas omitiu todo o versículo. 
As mesmas passagens de Marcos e Mateus informam que Jesus tinha 4 irmãos (Tiago, José, Simão e Judas), além de irmãs (não nomeadas). Mas dá para ir mais longe a partir dessa informação. "Se os nomes dos Evangelhos estão corretos, a família de Jesus era muito orgulhosa da tradição judaica.
 


Seus 4 irmãos tinham nomes de fundadores da nação de Israel", diz a historiadora Paula Fredriksen, da Universidade de Boston. "Seu próprio nome em aramaico, Yeshua, recordava o homem que teria sido o braço direito de Moisés e liderado os israelitas no êxodo do Egito, mais de mil anos antes." 
Assim, a família teria pelo menos 9 pessoas, mas nem por isso era pobre. Nazaré ficava a apenas 8 km de Séforis - um grande centro comercial onde o rei Herodes, o Grande, governava a serviço de Roma. Com a morte dele, em 4 a.C., militantes judeus se revoltaram contra a ordem política. Deu errado: o general romano Varus chegou da Síria para reprimir os rebeldes. E seu amigo Gaio completou o serviço, queimando a cidade. "Homens foram mortos, mulheres estupradas e crianças escravizadas", diz Crossan. Mas a destruição de Séforis teve um lado positivo: Herodes Antipas, filho do "o Grande", transformou o lugar num canteiro de obras. Isso trouxe uma certa abundância de empregos para a região. Um pequeno boom econômico. Então o ambiente ao redor da família de Jesus não era de privações. "A reconstrução da cidade deve ter gerado muito trabalho para José", diz Paula Fredriksen.
 


Jesus nasceu no ano da destruição da cidade, 4 a.C. Ou perto disso. O Evangelho de Mateus diz que Jesus nasceu no tempo de Herodes, o Grande (4 a.C. ou antes). Lucas coloca o nascimento na época do primeiro censo que o Império Romano promoveu na Judeia. E isso aconteceu, segundo as fontes históricas romanas, em 6 a.C. A única certeza, enfim, é que "foi por aí" que Jesus nasceu. E que o ódio contra o que os romanos tinham feito em Séforis permeava o ambiente onde ele viveu. "Não é difícil imaginar que Jesus pensou muito sobre os romanos enquanto crescia", diz Crossan. 
Na década de 20 d.C., quando Jesus estava nos seus 20 e poucos anos, o sentimento antirromano cresceu mais ainda. Pôncio Pilatos assumiu o governo da Judéia cometendo o maior pecado que poderia: desdenhar da fé dos judeus no Deus único. 
Mas, em vez de se unir contra o romano, os judeus se dividiram em seitas. Os saduceus, por exemplo, eram os mais conservadores. Os fariseus eram abertos a ideias novas, como a ressurreição - quando os justos se ergueriam das tumbas para compartilhar o triunfo final de Deus.
 


Os essênios viviam como se o fim dos tempos já tivesse começado: moravam em comunidades isoladas, que faziam refeições em conjunto seguindo estritas leis de pureza. Já os zelotes defendiam a luta armada contra os romanos. 
Em qual dessas seitas Jesus se engajou na juventude? Não há consenso entre os pesquisadores. Para alguns, porém, existem semelhanças entre a dos essênios e o movimento que Jesus fundaria - ambas as comunidades viviam sem bens privados, num regime de pobreza voluntária, e chamavam Deus de "pai". Essa hipótese ganhou força com a descoberta dos Manuscritos do Mar Morto, em 1947. Eles trouxeram detalhes sobre uma comunidade asceta de Qumran, que viveu no século 1 e estaria associada aos essênios. O achado ar-queológico não provou a ligação entre Jesus e essa seita. Até porque os essênios eram sujeitos reclusos, ao passo que Jesus foi pregar entre as massas da Galileia e Jerusalém. 
Jesus podia não ser essênio. Mas, para alguns estudiosos, seu mentor foi.
 


João, o mestre
Dois dos 4 Evangelhos começam a falar de João Batista antes de mencionar Jesus. É em Marcos e João. O homem que batizaria Cristo aparece descrito como um profeta que se vestia como um homem das cavernas ("em pelos de camelo") e que vivia abaixo de qualquer linha de pobreza traçável ("comia gafanhotos e mel silvestre"). 
Para a historiadora britânica Karen Armstrong, outra grande especialista no tema, isso indica que João pode ter sido um essênio. A vocação "de esquerda" que Jesus mostraria mais tarde, inclusive, pode vir da ligação do mestre João com a "sociedade alternativa" dos essênios. "É mais fácil passar um camelo pelo buraco de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus", ele diria mais tarde. 
Os Evangelhos não falam de João como mestre de Jesus. Nada disso. Ele apenas reconhece Jesus como o Messias na primeira vez que o vê. Os textos sagrados também informam que ele usava o batismo como expediente para purificar seus seguidores, que deviam confessar seus pecados e fazer votos de uma vida honesta.
 


Então Jesus aparece pedindo para ser batizado. Na Bíblia, esse é o primeiro momento em que vemos o Messias após aqueles 18 anos de ausência. 
Depois de purificado nas águas do rio Jordão, Jesus parte para sua vida de pregação, curas e milagres. A vida que todos conhecem. 
Para quem entende esse relato à luz da fé, isso basta. Mas é pouco para quem tenta montar um panorama da vida de Jesus, um retrato puramente histórico de quem, afinal, foi o homem da Galileia que sairia da vida para entrar na Bíblia como o Deus encarnado. E uma possibilidade é que Jesus tenha sido um discípulo de João Batista. Discípulo e sucessor. 
As evidências: tal como João Batista, Jesus via o mundo dividido entre forças do bem e do mal. E anunciava que Deus logo interviria para acabar com o sofrimento e inaugurar uma era de bondade. Em suma: tanto um como o outro eram o que os pesquisadores chamam de "profetas apocalípticos". E se os Evangelhos jogam tanta luz sobre João Batista (Lucas fala inclusive sobre o nascimento do profeta, assim como faz com Jesus), a possibilidade de que a relação deles tenha sido mais profunda é real. 
O grande momento de João Batista na Bíblia, porém, não é o batismo de Jesus. É a sua própria morte. Morte que abriria as portas para o nosso Yeshua, o Jesus da vida real, começar o que começou.
 


E Yeshua vira Cristo
João Batista podia se vestir com pele de animal e se alimentar de gafanhotos. Mas tinha a influência de um grande líder político. Prova disso é que morreu por ordem direta de Antipas. O Herodes júnior tinha violado o 10º mandamento da lei judaica: "Não cobiçarás a mulher do próximo". Não só estava cobiçando como estava de casamento marcado com a ex-mulher do irmão, Felipe. João condenou a atitude do rei publicamente. E acabou executado. 
Mateus deixa claro como Jesus, então já com seus 12 discípulos e em plena pregação, recebeu a notícia: "Ouvindo isto, retirou-se dali para um lugar deserto, apartado; e, sabendo-o o povo, seguiu-o a pé desde as cidades". Logo na sequência, o Cristo emenda o maior de seus milagres. Sentido com a fome da multidão que ia atrás dele, pegou 5 pães e dois peixes (tudo o que os apóstolos tinham) e foi dividindo. Passava os pedaços aos discípulos, e os discípulos à multidão. "E os que comeram foram quase 5 mil homens, além das mulheres e crianças" (Mateus 14:21). Horas depois, no meio da madrugada, outro milagre de primeiro escalão: Jesus apareceria para os apóstolos andando sobre as águas.
 


Esses episódios, claro, são parte da vida conhecida de Jesus (ou da mitologia cristã, em termos técnicos). Mas deixam claro: a morte de João foi importante a ponto de ter sido seguida de dois dos grandes episódios da saga de Cristo. 
O filho do pedreiro assumiria o vácuo religioso deixado pelo profeta. Agora sim: Yeshua caminharia com as próprias pernas. E começaria a virar Jesus Cristo. "Ele não só assumiu o manto de João, mas alterou sua doutrina. A diferença interessante entre João Batista e Jesus Cristo é que Jesus ergueu o manto caído de Batista e continuou seu programa mudando radicalmente sua visão", diz Crossan. 
Ele continua: "João dizia que Deus estava chegando. Mas João foi executado e Deus não veio". Ou seja: para o pesquisador, Jesus teria ficado tão chocado ante a não-intervenção divina que mudou sua visão sobre o que o Reino de Deus significava.
 


"João Batista havia imaginado uma intervenção unilateral de Deus. Jesus imaginou uma cooperação bilateral: as pessoas deveriam agir em combinação com Deus para que o novo reino chegasse", diz o pesquisador. Ou seja: não adiantaria esperar de braços cruzados. O negócio era fazer o Reino dos Céus aqui e agora. Como? Primeiro, extinguindo a violência. Mas e se alguém me der um soco, senhor? "Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra" (Lucas 6:29). Depois, amando ao próximo como a ti mesmo, ajudando ao pior inimigo se for necessário, como fez o bom samaritano da parábola famosa... Em suma, a essência da doutrina cristã.
 


A natividade 
Agora, um aparte: chamar de "anos ocultos" apenas a juventude de Jesus é injustiça. O nascimento também é uma incógnita completa. A começar pela data de nascimento: 25 de dezembro era a data em que os romanos celebravam sua festa de solstício de inverno, a noite mais longa do ano. Não porque gostassem de noites sem fim, mas porque ela marcava o começo do fim do inverno. Praticamente todos os povos comemoram esse acontecimento desde o início da civilização - nossas festas de fim de ano, a semana entre o Natal e o Ano-Novo são um reflexo disso. O dia em que Jesus nasceu não consta na Bíblia - foi uma imposição da Igreja 5 séculos depois, para coincidir o nascimento do Messias com a festa que já acontecia mesmo - com troca de presentes e tudo.
 


"Na verdade, não sabemos nada histórico sobre Jesus antes de sua vida pública, já que os dois primeiros capítulos de Mateus e Lucas [os que relatam o nascimento] são basicamente parábolas, não história", diz Crossan. De acordo com Mateus, José soube num sonho que Maria daria à luz um menino concebido pelo Espírito Santo. Quando Jesus nasce, magos surgem do Oriente e seguem uma estrela que os conduz a Jerusalém. Lá, eles ficam sabendo que o Cristo nasceu em Belém. Seguindo a estrela, os magos chegam à cidade para adorar o menino e lhe regalam com ouro, incenso e mirra. Mas Herodes fica perturbado com o nascimento e manda soldados matarem todos os bebês de até 2 anos em Belém. Assim, José foge com a família para o Egito e depois vai morar em Nazaré, na Galileia, onde Jesus é criado. 
"Não há nenhum relato, em qualquer fonte antiga, sobre o rei Herodes massacrar crianças em Belém, ou em seus arredores, ou em qualquer outro lugar. Nenhum outro autor, bíblico ou não, menciona isso", diz o teólogo americano Bart D. Ehrman no livro Quem Foi Jesus? Quem Jesus Não Foi? 
No relato de Lucas, o anjo Gabriel vai à casa de Maria, em Nazaré, e lhe avisa que daria à luz um futuro rei. E que o "Filho de Deus" se chamaria Jesus. Maria era uma virgem prometida a José, e o anjo lhe explicou que o filho seria gerado pelo Espírito Santo.
 


Lucas diz que naquela época, "quando Quirino era governador da Síria", um decreto do imperador Augusto obrigou os súditos a se registrar no primeiro censo do Império. Todo mundo devia retornar à cidade de origem para se alistar. Como os ancestrais de José eram de Belém, ele foi com Maria grávida para lá. Jesus nasceu em Belém pouco depois, e foi envolvido em panos na manjedoura. Lá o menino recebeu a visita de pastores e foi circuncidado aos 8 dias, para depois passar a infância em Nazaré. 
"Os problemas históricos em Lucas são ainda maiores", diz Ehrman. "Temos registros do reinado de Augusto, e em nenhum deles há referência a um censo para o qual todos teriam de se registrar retornando ao lar dos ancestrais." 
Ok, mas afinal por que Mateus e Lucas fazem Jesus nascer em Belém? Bom, de acordo com uma profecia do livro de Miqueias, do Antigo Testamento, o salvador viria de lá. Por que de lá? Porque era a cidade do rei Davi, o mais lendário dos soberanos de Israel. 
Depois que o general Pompeu invadiu a Judeia, em 63 a.C., e fez dela província do Império Romano, os profetas passaram a dizer que um rei da linhagem de Davi inauguraria o "reino de Deus". Chamavam essa figura de "o ungido" - já que Davi e outros reis israelitas haviam sido ungidos com óleo. Os Evangelhos foram escritos em grego, o inglês da época. E em grego "ungido" é christos. O Cristo tinha que nascer em Belém. Yeshua provavelmente era de Nazaré mesmo.
 


Os Evangelhos, por sinal, são obra de autores desconhecidos. É apenas uma convenção dizer que foram escritos por Marcos (secretário do apóstolo Pedro), Mateus (o coletor de impostos), João (o "discípulo amado") e Lucas (o companheiro de viagem de Paulo). Além disso, os escritores não foram testemunhas oculares. "O autor de Marcos escreveu por volta do ano 70. Mateus e Lucas, de 80. E João, no final dos 90", diz Karen Armstrong. E claro: "Eram cristãos. Eles não estavam imunes a distorcer as histórias à luz de suas crenças", diz Ehrman. Afinal, "evangelho" deriva da palavra grega euangélion, que significa "boas novas". O objetivo dos autores não era escrever a biografia de Jesus, e sim propagar a nova fé. Levando isso em conta, chegamos a outra polêmica: os anos considerados como os mais conhecidos da vida de Jesus também são cheios de episódios misteriosos. Vejamos.
 


 
Yeshua sai da vida para entrar na Bíblia 
Talvez tenha sido em busca de audiência que Yeshua rumou com os discípulos da Galileia para Jerusalém, por volta do ano 30 d.C. Depois de 3 anos pregando na periferia, já seria hora de atuar no palco principal. 
Jerusalém era o pivô do fermento espiritual judaico, e milhares de judeus iam para lá na Páscoa. Os Evangelhos nos dizem que Jesus causou um tumulto no local, destruindo as banquinhas de câmbio (que trocavam moedas estrangeiras dos romeiros por dinheiro local cobrando uma comissão), já que seria uma ofensa praticar o comércio em pleno Templo de Jerusalém, o lugar mais sagrado da Terra para os judeus. Por perturbar a ordem pública, ele foi condenado à cruz. Parece historicamente sólido, mas o episódio central do Novo Testamento também é fonte de reinterpretações. 
No julgamento, por exemplo, a multidão teria pedido que Barrabás, um assassino, fosse solto em vez de Jesus - já que era "costume" da Páscoa. Esse costume, porém, não é mencionado em nenhum lugar, exceto nos Evangelhos. Além disso, Jesus pode não ter sido exatamente crucificado, mas "arvorificado". É a teoria (controversa, é verdade) do arqueólogo Joe Zias, da Universidade Hebraica de Jerusalém. Suas pesquisas indicam que as vítimas dos romanos eram mais comumente crucificadas em árvores, pregando uma tábua de madeira no tronco para prender os braços do condenado. Seja como for, não há por que duvidar de que ele tenha sido executado. Roma usava e abusava do expediente para tentar manter o controle das regiões que conquistava. Segundo Flávio Josefo, historiador judeu do século 1, numa só ocasião 2 mil judeus foram executados
 


A história de Jesus não acaba aí, claro. "Alguns discípulos estavam convencidos de que ele ressuscitara. E que sua ressurreição anunciava os últimos dias, quando os justos se reergueriam das tumbas", diz Armstrong. Para esses judeus cristãos, Jesus logo retornaria para inaugurar o novo reino. O líder do grupo era Tiago, irmão de Jesus, que tinha boas relações com fariseus e essênios. E o movimento se expandiu. Quando Tiago morreu, em 62, Jerusalém vivia o auge da crise política. Em 66, romanos perseguiram os judeus com medo de uma insurgência. Os zelotes se rebelaram e conseguiram manter as tropas do Império afastadas por 4 anos. Com medo de que a rebelião judaica se espalhasse, Roma esmagou os revoltosos. Em 70, o imperador Vespasiano sitiou Jerusalém, arrasou o Templo e deixou milhares de mortos. 
"Não temos ideia de como seria o cristianismo se os romanos não tivessem destruído o Templo", diz Armstrong. "Sua perda reverbera ao longo dos livros que formam o Novo Testamento. Eles foram escritos em resposta à tragédia."
 


Para os pesquisadores, então, os textos sagrados refletem a realidade da Judeia do final do século 1 - e não a do início, a que Jesus viveu de fato. Por exemplo: Barrabás personificaria os sicários, judeus que saíam armados de punhais para matar romanos na calada da noite, como uma forma de vingança pela destruição do Templo. E que por isso mesmo eram assassinos amados pela população. 
Quer dizer: Barrabás seria um personagem típico da década de 70 d.C., inserido no episódio da morte de Jesus, fato que aconteceu na década de 30 d.C, num momento em que o ódio aos romanos e o louvor a quem se dispusesse a matá-los não eram tão violentos. 
Até a época em que os Evangelhos foram escritos, o movimento de Jesus era apenas um entre as várias seitas judaicas. Os primeiros cristãos se diziam "o verdadeiro Israel" e não tinham intenção de romper com a corrente principal do judaísmo. Mas tudo mudou com a destruição do Templo. 
Ela intensificou a rivalidade entre as facções judaicas. "Em sua ânsia por alcançar o mundo gentio (o dos não-judeus), os autores dos Evangelhos estavam dispostos a absolver os romanos da execução de Jesus e declarar, com estridência crescente, que os judeus deviam carregar a culpa", diz Armstrong. João, o Evangelho mais virulento, declara que os judeus são "filhos do Diabo" (João 8:44). Até o autor de Lucas, que tinha uma visão mais positiva do judaísmo, deixou claro que havia um bom Israel (os seguidores de Jesus) e um Israel mau - os fariseus.
 


A rixa com os fariseus tem lógica, já que eram competidores diretos dos judeus cristãos. "Num extremo do judaísmo estavam os saduceus, a ala mais conservadora. No outro, os essênios, a mais radical. Já os fariseus e os judeus cristãos estavam no meio. Eles lutavam pela mesma coisa: a liderança do povo, que estava entre as duas pontas", diz Crossan. 
Não é surpresa, aliás, que os livros do Novo Testamento contenham tantas contradições entre si. "Quando os editores finais do Novo Testamento juntaram esses textos, no início da Idade Média, não se incomodaram com as discrepâncias. Jesus havia se tornado um fenômeno grande demais nas mentes dos cristãos para ser atado a uma única definição", diz Armstrong. Os Evangelhos atribuídos a Marcos, Lucas, Mateus e João seriam finalmente selecionados para o cânon da Igreja. Dezenas de outros evangelhos ficaram de fora. 
Só no século 2, quase 100 anos após a morte de Jesus, começam a aparecer relatos sobre ele no centro do Império. Um deles é uma carta do político romano Plínio ao imperador Trajano. Plínio cita pessoas conhecidas como "cristãs" que veneravam "Cristo como Deus". Outra fonte é o historiador romano Tácito, que menciona os "cristãos (...), conhecidos assim por causa de Cristo (...), executado pelo procurador Pôncio Pilatos". Suetônio, que escreveu pouco depois de Tácito, informa sobre uma perseguição de cristãos, "gente que havia abraçado uma nova e perniciosa superstição". Uma "superstição" cuja mensagem convenceria cada vez mais gente, a ponto de, no século 4, o imperador romano em pessoa (Constantino, no caso) converter-se a ela.
 


E o resto é história. Uma história que chega ao seu segundo milênio. Com 2 bilhões de seguidores.

Restauração de Templos Vivos




O maçom é sucessivamente exortado a edificar e restaurar templos. Reconstruir templos danificados tem na Maçonaria significado simbólico de grande profundidade filosófica. Isto porque na reconstrução concorrem valores humanos significativos, bem mais intensos que na sua construção. Para uma edificação ser reconstruída, esta deve possuir valor inestimável, e são poucos

 os abnegados que se habilitam na empreitada de reconstruir algo danificado e com alta probabilidade de ser destruído de novo. Na reconstrução de templos concorrem valores como firmeza de decisão e perseverança no objetivo para concluir a reconstrução, bem como, heroísmo no enfrentamento de terríveis e insidiosos inimigos durante as atividades. A ordem maçônica usa de ilustrações de reconstruções para provocar o raciocínio de restaurações constantes de um tipo especial de templo: o homem integral.

Quando em Maçonaria se faz referência a um templo, este designa o local de reunião dos maçons, e por extensão simbólica, significa o "grande" Universo e o "pequeno" Universo, aonde este último constitui a essência do próprio homem, sua força vital, o seu corpo completo; o homem como um templo vivo. Entende-se por corpo completo a sua constituição física e a força ativa que o mantém vivo. Este conjunto complexo pode ser comparado a um Universo em miniatura composto de: corpo, mente, emoção e espiritualidade. Na soma total destes elementos, o espírito é considerado encarnado, parte do corpo físico. A reconstrução deste tipo de templo ocorre a cada iniciação, a cada nova modificação interior, em resultado da auto-educação estimulada pela ordem maçônica. Cada pedreiro trabalha com as ferramentas de que dispõe, em si mesmo e como resultado de seu desenvolvimento físico, intelectual, emotivo e metafísico. O sábio percebe a finalidade do desafio de modificar a si mesmo para o bem. O sublime e principal propósito é levar o homem a conhecer-se intimamente, de modificar-se, de reconstruir-se ou reorganizar-se internamente ao templo vivo que cada um é.

No diálogo, "O Banquete", Platão (428 a. C. - 347 a. C.) afirma que enquanto na juventude prevalece a admiração pela beleza, no adulto amadurecido descobre-se a verdadeira beleza na espiritualidade. É na maturidade que o homem desperta e se considera parte de um templo maior que consiste em toda a vida do "grande" Universo. Conscientiza-se que concorre para a realização de todo o esplendor do milagre da vida estabelecido em leis naturais espantosas, só compreendidas no amadurecimento espiritual adulto. Entretanto, existem "adultos" que, ao não se modificarem internamente, continuam menores de idade, dependentes da orientação de terceiros e ainda não alcançaram idade madura. Neste caso não se trata do período da vida compreendido entre a juventude e a velhice, ou a meia-idade, mas o termo último de desenvolvimento humano, a fase de auto realização. É a liberdade observada quando o homem não é culpado de sua própria menoridade, de sua heteronomia, de deixar-se conduzir por um terceiro. Heteronomia refere-se à deficiência onde a dependência não acontece for falta de entendimento ou limitação fisiológica, mas da falta de coragem ou preguiça de trabalhar em seu templo, presa de paixões desenfreadas ou vícios degradantes. Para Platão, o adulto que venceu sua minoridade reconhece que a beleza emana de sua característica espiritual, essencialmente quando desenvolvida por si mesmo e em si mesmo. E isto constitui a liberdade absoluta do homem, pois quando não padece de heteronomia, é em seu "pequeno" Universo interior, qual templo, que o homem adulto é soberano e senhor absoluto.

Um templo maçônico é a representação simbólica do Universo maior, composta de toda matéria animada e inanimada. É tão incrível a matéria deste "grande" Universo que, se observada de perto, de bem perto, ao nível atômico e subatômico, é como se toda a existência material fosse feita com absolutamente nada de massa, de quase nada, quase que exclusivamente de espaço vazio. As partículas são tão insignificantes e afastadas umas das outras em espaços relativos tão grandes que, em essência, resulta apenas espaço vazio. E é tão somente pela velocidade com que os elétrons giram ao redor do núcleo que se manifesta a solidez da matéria. Em essência, a matéria do Universo é feita de nada, de espaço vazio. Ser parte deste todo e ao mesmo tempo deste nada, deste maravilhoso espetáculo da matéria inanimada e animada pelo sopro da vida, é o que dá um importante significado para a vida do homem. É uma distinção impar ser uma individualidade diante do volume de matéria inanimada que existe. O homem é feito da matéria inanimada do Universo, a qual recebeu vida de uma forma ainda incompreensível para o seu conhecimento científico. É natural que, respeitadas as devidas proporções, se considere o homem como um "pequeno" Universo de matéria e energias aglutinadas e animadas por uma energia vital e sobre o qual o intelecto sem heteronomia exerce poder e comando.
Se as estrelas e planetas exercem influências gravitacionais de uns sobre os outros, então as partículas que formam o templo do homem, o seu "pequeno" Universo interior, estão sob influência energética dos outros corpúsculos semelhantes espalhados pelo "grande" Universo. É este pertencer que dá grande significado para a vida do homem. Seu templo faz parte indissolúvel do Universo e isto promove um maravilhoso significado para exercer a liberdade com responsabilidade. É uma honra e distinção impossível de esquecer o fato de ser premiado para viver com liberdade dando conta de si mesmo no Universo.

Se destruído o corpo, ou parte dele, ao nível da matéria e com a atual tecnologia disponível ainda é impossível ao homem reconstruir um templo assim. Resta remendar o corpo físico e mantê-lo funcionando mesmo que precariamente e em decadência progressiva. Para viver com qualidade, o sábio cuida bem de sua saúde física e emocional enquanto os anos lhe vão desgastando a maravilhosa estrutura biológica, até o instante em que a regeneração química de suas moléculas se torna impossível e o sopro da vida o abandona. Alguns parceiros do homem que compartilham a biosfera terrestre têm em si a capacidade de desenvolverem novos membros que lhes foram arrancados por acidentes ou predadores, mas ao homem esta faculdade ainda não se disponibilizou. Já o templo interior do homem é passível de reconstrução, basta que para isto se parta para a ação com vontade e perseverança. A capacidade de reconstruir o templo interior, uma vez destruído, é uma capacidade que cada homem possui em potencial. É só deixar que esta inclinação espiritual se manifeste e se obedeça ao bom senso de seguir sempre em frente.

Simbolicamente, a ação nobre da espada inibe a aproximação e defende do inimigo externo e subjuga e mata o inimigo interno, enquanto a trolha, na mão do trabalhador da pedra, participa na edificação e reedificação de templos. A trolha constrói o templo externo de pedra, assentando as pedras, em cujo interior, ao alisar as paredes, melhora as relações entre as pedras vivas que estão construindo e reconstruindo templos vivos. Os maçons reúnem-se num templo de pedra que representa o Universo, local sagrado onde cada indivíduo reconstrói seu próprio lugar sagrado, o templo de si mesmo. É local também onde se provoca e incentiva ao seu irmão a edificar e melhorar seu templo. Cada um atua num templo de carne que é a representação em miniatura do Universo dentro de um templo de pedra que representa o Universo. Os templos melhorados pelo trabalho em si mesmos agradecem ao privilégio de vestirem ossos com carne, animados pela força ativa do espírito que exalta o dom da vida. É pelo conjunto de todo o trabalho de construção e reconstrução, planejado racionalmente, que o maçom declara a glória do Grande Arquiteto do Universo.

Charles Evaldo Boller

Bibliografia:

1. CAMINO, Rizzardo da, Rito Escocês Antigo e Aceito, Graus um ao Trinta e Três, ISBN 978-85-370-0222-3, primeira edição, Madras Editora Ltda., 302 páginas, São Paulo, 2009;

2. CLAUSEN, Henry C., Comentários Sobre Moral e Dogma, primeira edição, 248 páginas, Estados Unidos da América, 1974;

3. MIRANDA, Pedro Campos de, Os Caminhos da Maçonaria, ISBN 85-7252-216-6, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 160 páginas, Londrina, 2006;

4. SANSÃO, Valdemar, O Despertar para a Vida Maçônica, ISBN 85-7252-206-9, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 192 páginas, Londrina, 2005;

5. SOBRINHO, Octacílio Schüler, Maçonaria, Introdução Aos Fundamentos Filosóficos, ISBN 85-85775-54-8, primeira edição, Obra Juridica, 158 páginas, Florianópolis, 2000;

6. SPOLADORE, Hercule, O Homem, o Maçom e a Ordem, ISBN 85-7252-204-2, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 194 páginas, Londrina, 2005.

Uma escada para o céu - Led Zeppelin






Stairway To Heaven

Há uma senhora que tem certeza de que tudo o que reluz é ouro
E ela está comprando uma escada para o céu
Quando ela chega lá ela sabe se as lojas estão todas fechadas
Com uma palavra ela consegue o que veio buscar



E ela está comprando uma escada para o céu



Há um sinal na parede, mas ela quer ter certeza
Porque você sabe que às vezes as palavras têm dois sentidos
Em uma árvore a beira do riacho há um rouxinol que canta
Às vezes todos os nossos pensamentos estão apreensivos



Oh, isso me faz pensar
Oh, isso me faz pensar



Há um sentimento que eu tenho quando eu olho para o oeste
E meu espírito chora para partir
Em meus pensamentos eu tenho visto anéis de fumaça através das árvores
E as vozes daqueles que ficam parados olhando



Oh, isso me faz pensar
Oh, realmente me faz pensar



E é sussurrado que logo, se todos nós chamamos a música
Então o flautista nos levará à razão
E um novo dia irá nascer para aqueles que suportarem
E as florestas vão ecoar com risos



Se há um alvoroço em sua horta, não se assuste agora
É apenas uma limpa primavera para a rainha de maio
Sim, há dois caminhos que você pode seguir, mas no longo prazo
Ainda há tempo de mudar o caminho que você segue



E isso me faz pensar



Sua cabeça está zunindo e não vai
No caso de você não sabe, o flautista está te chamando para se juntar a ele
Cara senhora, pode ouvir o vento soprar
E você sabia que sua escadaria repousa no vento sussurrante



E como o vento para baixo na estrada
Nossas sombras mais altas do que a nossa alma, lá caminha uma senhora que todos conhecemos
Que brilha luz branca e quer mostrar
Como tudo ainda vira ouro e se você ouvir com atenção



A canção irá chegar a você no passado
Quando todos são um e um é tudo, sim
Para ser uma rocha e não rolar
E ela está comprando uma escada para o céu

Maçonaria tem direito a imunidade tributária


Recentemente, o Supremo Tribunal Federal, por maioria de votos, negou a uma loja maçônica o direito de gozar de imunidade tributária (RE 562.351/RS). Este direito, na prática, afastaria a obrigação de pagamento de impostos, tais como IPTU.
Segundo informações da assessoria de imprensa do Supremo Tribunal Federal (Informativo 678), o argumento que favoreceu o Fisco foi no sentido de que a Maçonaria seria uma ideologia, e não uma religião.
Pois bem. Como se sabe, nos termos do artigo 150, VI, “b”, da Constituição Federal, é vedado à União, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios instituir impostos sobre “templos de qualquer culto”. Aqui a surpresa é inevitável: “templos de qualquer culto”, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal, seria equivalente a “local de manifestação religiosa”.
Mas, embora a religião muitas vezes se expresse mediante a prática de culto, será que todo culto está relacionado a uma prática religiosa?
Sim, não, qualquer seja a resposta, certo é que a vagueza semântica da expressão "templo de qualquer culto" permite um cenário de mão dupla, inviabilizando uma decisão baseada exclusivamente em fundamentos técnicos, por parte de qualquer juiz.
Assim, cumpre questionar: até que ponto pode o julgador adentrar no mérito de que determinado templo seja em prol de uma “ideologia” ou “religião”? Budismo e Cientologia.....o que seriam?
Ora, é compreensível o desejo de todo julgador ser técnico, mas o preço de se exigir uma resposta “científica” para tudo é incompatível com o Estado Democrático de Direito, pois, ao fim e ao cabo, a autoridade acabará se sobrepondo à razão. Como dizem por aí, vencerá o argumento de autoridade, e não a autoridade do argumento.
Não foi o que ocorreu no Supremo Tribunal Federal?
Às vezes, a dúvida dialoga melhor com a democracia e a liberdade. Juristas devem esforçar-se ao máximo para obter uma posição técnica e científica. Porém o termo final dessa investigação deve ser no exato momento em que a soberania toma lugar no discurso, e acaba mitigando princípios básicos do Estado Democrático de Direito.
Em síntese, a posição no RE 562.351é incompatível com nosso ordenamento jurídico.
Revista Consultor Jurídico, 30 de outubro de 2012

Mensagem do filme Senhor dos Anéis



 
"Cabe a cada um decidir o que fazer com o tempo que lhe é concedido.."

Quando Frodo, o hobbit, chega nas profundezas da montanha de Moria, ele é invadido pela dúvida:

"Eu desejaria nunca ter recebido o anel, desejaria que nada disso tivesse me acontecido".

Gandalf, o mago, lhe responde:

"Sempre pensamos assim no momento das provas, mas não temos o poder de decidir. Cabe a cada um decidir o que fazer com o tempo que lhe é concedido!"

O livro do século XX torna-se o acontecimento cinematográfico do século XXI. Assim foi anunciado o lançamento do filme da primeira parte da trilogia – A Sociedade do Anel. Durante o ano de 2002 ele vem sendo projetado nos cinemas do mundo inteiro.

Os livros de Tolkien já contam com cinqüenta milhões de leitores.
No Ocidente, A Sociedade do Anel ocupa o segundo lugar na lista dos bestsellers. O primeiro lugar pertence ainda e sempre à Bíblia. O que apaixona tanto as pessoas nesse conto maravilhoso? Será a magistral adaptação, que custou 190 milhões de dólares? Ou então o mistério e a magia do conteúdo que se dirige a todos? A Sociedade do Anel se reporta ao combate entre a luz e as trevas, que ocorre no fim de uma era.
Na Terra Média vivem grupos diferentes de seres, bons e maus. O poder de cada grupo é ligado a um anel forjado em tempo longínquo com o único fim de dar um sentido histórico à evolução desses seres: Três Anéis para os Reis-Elfos sob este céu, Sete para os Senhores-Anões em seus rochosos corredores, Nove para Homens Mortais, fadados ao eterno sono. Os elfos são seres imortais de alta estatura que devem proteger os mortais da Terra Média, na qual muito do antigo conhecimento se perdeu. Mas os poderosos magos que acompanham os elfos dispõem desse conhecimento. Os homens e os hobbits pertencem aos mortais da Terra Média. Estes últimos são de baixa estatura, não medem mais que um metro e se parecem muito com os homens.

Além dos dezenove anéis já citados, existe um vigésimo que não provém da luz, mas das trevas:
Um para o Senhor do Escuro em seu escuro trono.
Na Terra de Mordor onde as Sombras se deitam.
Um Anel para todos governar,
Um Anel para encontrá-los,
Um Anel para a todos trazer e na escuridão aprisioná-los
Na Terra de Mordor onde as Sombras se deitam.

A sorte dos habitantes da Terra Média teria sido selada há muito tempo se Sauron, o Senhor do Escuro, não tivesse sido vencido pela luz, alguns milhares de anos antes. Nessa derrota ele perdeu seu poder, e perdeu o anel.

Este permaneceu durante muito tempo oculto, inativo. Finalmente ele reapareceu entre os hobbits. Mas, agora que a vida na Terra Média aproxima-se do fim de um período de desenvolvimento, Sauron quer reunir novamente suas forças.

Ele se torna cada dia mais poderoso, o que reaviva ao mesmo tempo o poder do anel. Sauron conseguiu conquistar os nove anéis dos homens. Os portadores desses anéis eram poderosos monarcas que agora foram reduzidos à condição de escravos quase subumanos, submetidos a Sauron. Fantasmas em seu reino de sombras.
Sauron também rompeu o poder dos sete senhores anões e tomou posse de seus anéis. Somente os três anéis dos elfos ainda estão fora de seu alcance.


O Senhor do Escuro também tem em suas fileiras um grande número de elfos que degeneraram até tornarem-se orcs monstruosos, soldados a soldo de Sauron.

Para retomar toda a sua força e seu poder, Sauron deve se apossar do último anel; por isso ele fica totalmente concentrado nessa finalidade.





Por força das circunstâncias, Frodo, um hobbit, encontra-se de posse do anel tão avidamente cobiçado. Os poderes das trevas o perseguem assim que ele inicia, com seus oito companheiros, a perigosa viagem pelas ravinas da Montanha da Perdição, no país de Mordor. Lá, ele deve jogar o anel no fogo de onde proveio, pois é o único meio de aniquilar para sempre o poder das Trevas.





Uma compilação de acontecimentos seculares, apoiando-se num grande conhecimento de mitos e lendas, o autor J.R.R. Tolkien escreveu uma história cheia de símbolos eloqüentes, e o diretor Peter Jackson foi inspirado para transmiti-los em níveis profundos por trás dos maravilhosos acontecimentos do filme, das escaladas, batalhas e monstros.

Talvez seja esse o motivo por que tanta gente se apaixonou e por que essa compilação de acontecimentos seculares comoveu tantos leitores e espectadores.

É como se eles olhassem para trás, para uma época na qual tomaram parte, inconscientemente; como se lhes mostrassem alguma coisa que se relacionasse com seu passado microcósmico, ainda presente neles como uma imagem adormecida.

O espectador entra na sala do cinema. Após a publicidade e os trailers, ele mergulha, durante três horas, na história da Terra Média. Como os atores, ele entra na pele dos personagens, e assim vivencia como que uma parte de seu próprio passado.

Ele sofre e luta, com Frodo e seus amigos, no caminho que conduz ao turbilhão da Montanha da Perdição, no sombrio país de Mordor, para auxiliá-los a destruir o anel do mal.

Entre os nove companheiros chamados para realizar com êxito essa tarefa há um elfo, um mago, um anão, dois homens e quatro hobbits.
Cada qual exerce um papel importante nessa pequena comitiva, mas três dentre eles têm uma missão excepcional: o mago Gandalf, o homem Aragorn e o hobbit Frodo, portador do anel.

Gandalf é imortal como os elfos, superior aos homens. Mas, no momento, sua sorte está estreitamente ligada à dos mortais, sem que sua sabedoria e sua magia sejam submissas às limitações da vida sobre a Terra Média.

Por esse motivo, ele pode combater o mal que se manifesta de forma visível ou invisível. No início, Tolkien denomina o mago de "Gandalf, o cinzento".

Ele deve suportar uma série de provas para tornar-se "Gandalf, o branco".

Sua nova condição lhe permitirá deixar, com os elfos, a Terra Média, quando esse campo de evolução chegar à expiração.

Gandalf terá, então, realizado sua missão.

Esses seres existiram?

No espectador desperta uma certa suspeita de que se trata aqui de uma realidade ainda invisível.

O homem mortal deste século perdeu-se na matéria e a sabedoria secular concernente a todas as ondas de vida que acompanham a humanidade lhe é quase desconhecida.

Ela lhe transmite, no máximo, fragmentos confusos, mas ele não conhece o final da história. Esses seres viveram realmente? Existem ainda hoje, e trabalham ainda com a Luz, com a finalidade de retirar a humanidade de seu caminho de morte?

A princípio, não se conhece a origem de Aragorn. Os homens e os hobbits o denominaram Passolargo, o vagabundo.

Mas, no grupo que deve resolver o mistério do anel, descobre-se, aos poucos, que ele foi rei. Ele descende dos reis da Terra Média que, outrora, foram depostos de seu trono por Sauron. Em seu combate com as trevas, a espada de seu poder foi quebrada, e assim eles também foram subjugados.

Aragorn carrega o peso dessa herança e se entrega inteiramente a serviço do portador do anel, a fim de restaurar seu desventurado reino.

A figura do homem real remete ao homem original; sua verdadeira natureza encontra-se no mais profundo do seu ser e, ao mesmo tempo, ela o perturba.

Por um lado ele está ligado às trevas, sua natureza da Terra Média, e por outro lado, ele reconhece a Luz e se esforça para servi-la e assim reconquistar sua realeza.

Ele não conhece o caminho, mas confia nos seus amigos.

É fácil nos identificarmos com Frodo e os outros hobbits, pois são muito naturais, adoram comer e beber bem, festejar e divertir-se. Eles vivem nos buracos aconchegantes do belo Condado.

Melhor dizendo, eles preferem nada saber sobre o mundo que os rodeia.

Mas alguns possuem uma alma aventureira. Frodo e os três hobbits deixam sua pátria. Eles são tão pequenos que nunca tiveram um papel especial na Terra Média. Mas é justamente devido a essa independência que estão aptos para chegar ao fim do mistério do anel.

Frodo está de posse do anel há pouco tempo, quando Gandalf lhe relata o
poder e o significado dessa jóia. Mesmo sentindo-se muito pequeno e muito frágil para uma tão pesada tarefa, ele se prepara para empreender a perigosa viagem para as ravinas da Montanha da Perdição. Ele não conhece o caminho, mas confia nos companheiros.

Mesmo nos momentos de dúvida, ele sabe, interiormente, que tudo está certo e que deve perseverar para conseguir destruir o anel. Portanto, não se trata de um caminho que alguém escolhe por ser particularmente romântico, excitante ou glorioso.

Esse caminho que conduz ao aniquilamento do poder cíclico do anel do mal provém de uma vocação interior.

O papel de Frodo coloca em evidência a ligação que existe entre todas as criaturas do universo. Grandes ou pequenas, fortes ou fracas, elas estão ligadas entre si, em unidade. Elas provêm da unidade divina e se manifestam em miríades de entidades de infinita diversidade.

Cada criatura, por menor que seja, onde quer que se encontre, é uma engrenagem no mecanismo universal. Por esse motivo, o menor de seus atos é importante para o todo; elas influenciam o conjunto.

Na comitiva dos nove, com Gandalf, Aragorn e os outros, Frodo é o único que pode carregar o anel. Ele não possui muita força e nem luta para ter poder ou riquezas.

Mas ele é puro, corajoso e suficientemente inteligente para compreender a tarefa da qual está incumbido e pôr-se a caminho. Contudo, acontece-lhe de exprimir, no coração da montanha de Mordor, suas dúvidas:

"Gostaria que isto nunca tivesse acontecido."

E as palavras de Gandalf ressoam em seus ouvidos:

"Cabe a cada um decidir o que fazer com o tempo que lhe é concedido."

O filme terminou. O espectador está saturado de batalhas da Terra Média e retorna a sua própria realidade cotidiana.

Mas em sua miséria interior, algo ainda vibra por um tempo. Será que ele realmente comprovou sua ligação com todas as formas de vida e seu próprio lugar nisso tudo? Ele se lembra de algo a esse respeito? Talvez ocorra com ele o mesmo que aconteceu com Frodo em seu desespero.

Devo decidir o que fazer com o tempo que me é concedido.

*O autor J.R.R. Tolkien nasceu em 1892, na África do Sul. Estudou
universidade de Oxford. Em 1924, foi professor de língua e literatura inglesa e, um ano mais tarde, obteve uma cadeira em Angelsaksich. Em seu livro J.R.R. Tolkien, uma Biografia, Humphrey Carpenter escreve:

Era 19 de setembro de 1931. Após um almoço coletivo no Magdalen College, três homens vão dar um passeio na margem do rio.

Eram eles: Tolkien, filólogo e professor em Angelsaksich, C.S. Lewis, professor e futuro escritor de literatura infantil, e Hugo Dyson, conferencista de letras inglesas.

Eles falam sobre os mitos na literatura e de seu grau de veracidade. Lewis afirma que os mitos são mentiras.

Tolkien replica: "Não, não são mentiras".

Mostrando as árvores, ele diz: "Denominamos uma árvore de árvore, sem refletir a respeito. Mas não há árvore enquanto ninguém pronunciar essa palavra.

Denominamos estrela uma estrela, e dizemos que é uma bola de matéria que segue uma trajetória matematicamente definida. Mas é somente o que vemos.

Dando um nome às coisas e descrevendo-as, exprimimos o que percebemos.

E, assim como uma língua é um sistema de conceituação dos objetos e das idéias, o mito é um sistema de conceituação da verdade.

Tolkien prossegue: "Nós procedemos de Deus, mas é inevitável que os mitos, que nós mesmos criamos, comportem erros, pois eles nada mais são do que fragmentos refletindo a verdadeira luz, a eterna verdade que é de Deus.

Ao inventar um mito, ao tornar-se “subcriador” por inventar um conto, o homem pode se esforçar pelo estado de perfeição que ele conhecia antes da queda.

Talvez nossos mitos desencaminhem, mas eles nos orientam para o porto correto, por mais tortuoso que seja o caminho que conduz a ele.

A "porta de entrada" da matéria, ao contrário, só conduz a um perigo medonho, à coroa de ferro das forças do mal.


* Hoje a palavra mito, significa alguma coisa inveridica, irreal ou ficticia. Entretanto ela deriva do vocábulo grego mythos, que em seu uso original significa uma explicação da realidade que lhe confere significado.

Maçonaria e Cinema

Dos símbolos maçônicos mais conhecidos, o Esquadro e o Compasso são os mais utilizados em referências na Literatura e no Cinema. No Cinema, eles aparecem em filmes de todos os gêneros: ficção, drama, ação, aventura, terror e até comédia. Alguns filmes são baseados em livros de autores maçons. Rudyard Kippling é um exemplo, com sua obra "O Homem que queria ser Rei".
Arthur Conan Doyle, escritor inglês, criador do famoso detetive Sherlock Holmes, faz uma infinidade de referências maçônicas em suas obras.
Assim, relacionamos alguns títulos de filmes e livros, onde podemos encontrar símbolos maçônicos e referências à Maçonaria. 

Referências Cinematográficas
 
"A Lenda do Tesouro Perdido"
O protagonista (Nicolas Cage), neto de um maçom, dá continuidade à busca de um tesouro, que há muito está escondido.
"Magnolia"
Este filme, de Paul Thomas Anderson, também contém referências maçônicas. Em uma das cenas, aparece um símbolo maçônico em uma enciclopédia, no instante em que um garoto estuda pela TV através de um game show. Em uma outra cena, um produtor de TV apóia sua mão no ombro do apresentador, mostrando um anel com símbolo maçônico, e dizendo "Nos encontramos entre o nível e o esquadro.". No elenco, Tom Cruise, Jeremy Blackman e Melinda Dillon.
Murder by Decree
Assassinato por Decreto
Sherlock Holmes investiga os mais infames casos londrinos de Jack, o Estripador. À medida em que ele investiga, ele descobre que o Estripador tem amigos nas altas classes, envolvendo os Maçons. No elenco, Christopher Plummer e James Mason.
Peggy Sue Married
Peggy Sue - O Passado a Espera
O avô de Peggy pertence à loja dos viajantes do tempo, mostrando um altar e um ritual usando a batida de martelo. No elenco Kathleen Turner e Nicolas Cage. Dirigido por Fancis Ford Coppola.
"Fim dos Dias"
"The End of Days"
Filme de 1999, onde o super astro do cinema Arnold Schwarzenegger ,enfrenta o maior e mais poderoso inimigo de todos os tempos - o próprio satã. Arnold faz o papel de um oficial de polícia. Em determinado momento ele diz: "Agora este amuleto é da ordem maçônica do antigo sub-heredom dos Cavalerios do Vaticano, Cavaleiros do Olho Sagrado. Eles aguardam a volta do anjo negro à Terra." Também, logo na abertura do filme, pode-se ver rapidamente, a figura famosa do Baphomet, de Eliphas Levy. No elenco, Gabriel Byrne, Kevin Pollak, Rod Steiger. Direção de Peter Hyams.
"Teoria da Conspiração"
"Conspiracy Theory"
Neste filme de 1997, Mel Gibson faz o papel de um motorista de táxi (Jerry Fletcher), na cidade de Nova Iorque. Ele acredita que o mundo em que vivemos está repleto de conspirações perigosas. Sua vida é uma loucura completa, sempre está em estado de alerta... sempre pronto para o pior. O emprego como motorista é apenas uma fachada para seu verdadeiro trabalho: reunir informações sobre novas ameaças ao redor do mundo e reuni-las em um informativo chamado "Teoria da Conspiração". Ninguém nunca se importou com as idéias absurdas de Jerry - até hoje. Perseguido por inimigos desconhecidos, Jerry sabe que finalmente desmascarou uma conspiração de verdade. Só não sabe qual delas ! Agora sua única chance de sobreviver é contar com a ajuda da advogada Alice Sutton (Julia Roberts), para descobrir qual a verdade que deve ser revelada ao mundo... antes que seja tarde demais! Em uma das cenas, Mel Gibson diz: "Os Maçons estão tentando melhorar o mundo." "George Bush é maçom, grau 33".
No elenco, Mel Gibson, Julia Roberts, Patrick Stewart. Direção de Richard Donner.
"Do Inferno"
"From Hell"
Johnny Depp, Heather Graham (de Boogie Nights - Prazer Sem Limites e Austin Powers, o Agente Bond Cama) e Ian Holm (O Senhor dos Anéis) estão juntos neste filme, baseado na história de Jack, o Estripador.
From Hell gira em torno de um investigador da Scotland Yard (Depp) que tenta desvendar os assassinatos do final do século 19 e acaba descobrindo uma série de falcatruas políticas relacionadas à família real. Graham faz o papel de uma prostituta perseguida pelo assassino. Um filme que envolve a Maçonaria como responsável pelos assassinatos. No elenco, Johnny Depp, Heather Graham, Ian Holm. Direção de Albert Hughes.
"Horizonte Perdido"
"Lost Horizon"
Este filme de 1937 é uma fantasia clássica romântica, dirigido pelo aclamado diretor Frank Capra. A história mostra um corajoso diplomata britânico e um grupo de pessoas que sofrem um acidente no Himalaia. Eles são resgatados pelos misteriosos habitantes do paradisíaco vale de Shangri-la. Edward Everett Horton diz "Eu encontrei um manuscrito que explica o significado oculto por trás de todos os símbolos maçônicos".
"Mad Max - Além da Cúpula do Trovão"
"Mad Max beyond Thunderdome"
Depois de perder todos os seus pertences para uma gangue, o herói Mad Max (Gibson) vai parar em Bartertown, uma cidade sem-lei governada pela astuciosa Aunty (Tina). Para recuperar o que é seu, Max tem que obedecer às duras leis locais: participar de um a luta que só acaba com a morte de um dos lutadores contra um gigante (Larsson). Destaques: Terceiro e último capítulo das aventuras do herói futurista Mad Max, que traz a participação de Tina Turner, cantando o sucesso We Don't Need Another Hero. Neste filme de 1985, quando o apresentador da luta, entre Mad Max e Blaster, anuncia a entrada dos lutadores, uma imagem de um Esquadro e um Compasso, aparece, um pouco desbotada, na parte da frente de sua camisa. No elenco, Mel Gibson, Tina Turner. Direção de George Millar.
"The Majestic"
"Cine Majestic"
Sem relação com a história, o símbolo do esquadro e do compasso pode ser visto uma vez no mausoléu na cena do cemitério e uma vez no edifício da avenida principal na segunda metade do filme. Drama. No elenco, Jim Carrey.
"The Man Who Would Be King"
O Homem que queria ser rei
Baseado na história de Rudyard Kipling. Soldados mercenários convencem a população da tribo do Kafiristão que eles são deuses, depois de descobrirem símbolos maçônicos e artefatos religiosos. No elenco Sean Connery, Michael Caine. Dirigido por John Huston. Drama/Ação.
"Sons of the desert"
Filhos do deserto
Ollie finge estar doente e pede para um médico, que na verdade é um veterinário, prescrever uma viagem para o Havaí. Stan e Ollie enganam suas esposas dizendo que vão para um cruzeiro medicinal para irem a uma convenção, mas elas descobrem a verdade. Eles aprendem que a honestidade é o melhor negócio.
O Imperador e o Rei
A história do Barão de Mauá.
Referências Literárias
Arthur Conan Doyle
Criador das histórias de detetive de Sherlock Holmes, Doyle fez muitas referências à Maçonaria em seus livros.
Umberto Eco
Em "O Pêndulo de Foucault", três ediores de Milão que tinham passado muito tempo juntos reescrevendo os manuscritos sobre teorias de conspiração e ocultismo, decidem escrever suas próprias explicações para os eventos mundiais. O mundo de ficção que eles criaram se torna realidade.
Ernest Hemingway
No livro "Adeus às Armas", um dos oficiais diz que não acredita em religião, mas acredita na maçonaria.
Rudyard Kipling
No livro "O Homem que Queria ser Rei", diz "Um Deus e o Grande Mestre do Ofício sou eu, e a Loja no Terceiro Grau eu abrirei, e então lenvantar a cabeça dos padres e dirigentes das cidades."
Robert Shea e Robert Anton Wilson
No livro "Illuminatus" aparecem numerosas referencias ao Iluminati da Bavaria e muitas referências à Maçonaria.
Leon Tolstoi
Descreve a iniciação de Pierre Bezukhoi em uma Loja russa.
Fernando Pessoa
Possui muitas referências místicas e simbólicas em seus textos e poemas.
Texto de Fernando Pessoa sobre o entendimento dos símbolos:
"O entendimento dos símbolos e dos rituais (simbólicos) exige do intérprete que possua cinco qualidades ou condições, sem as quais os símbolos serão para ele mortos, e ele um morto para eles.
A primeira é a simpatia; não direi a primeira em tempo, mas a primeira conforme vou citando, e cito por graus de simplicidade. Tem o intérprete que sentir simpatia pelo símbolo que se propõe interpretar.
A segunda é a intuição. A simpatia pode auxiliá-la, se ela já existe, porém não criá-la. Por intuição se entende aquela espécie de entendimento com que se sente o que está além do símbolo, sem que se veja.
A terceira é a inteligência. A inteligência analisa, decompõe, reconstrói noutro nível o símbolo; tem, porém, que fazê-lo depois que, no fundo, é tudo o mesmo. Não direi erudição, como poderia no exame dos símbolos, é o de relacionar no alto o que está de acordo com a relação que está embaixo. Não poderá fazer isto se a simpatia não tiver lembrado essa relação, se a intuição a não tiver estabelecido. Então a inteligência, de discursiva que naturalmente é, se tornará analógica, e o símbolo poderá ser interpretado.
A quarta é a compreensão, entendendo por esta palavra o conhecimento de outras matérias, que permitam que o símbolo seja iluminado por várias luzes, relacionado com vários outros símbolos, pois que, no fundo, é tudo o mesmo. Não direi erudição, como poderia ter dito, pois a erudição é uma soma; nem direi cultura, pois a cultura é uma síntese; e a compreensão é uma vida. Assim certos símbolos não podem ser bem entendidos se não houver antes, ou no mesmo tempo, o entendimento de símbolos diferentes.
A quinta é a menos definível. Direi talvez, falando a uns, que é a graça, falando a outros, que é a mão do Superior Incógnito, falando a terceiros, que é o Conhecimento e a Conversação do Santo Anjo da Guarda, entendendo cada uma destas coisas, que são a mesma da maneira como as entendem aqueles que delas usam, falando ou escrevendo."