quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

RMÃOS, PORQUE ME ABANDONASTES?


 Meus Irmãos:

O assunto que ora abordarei  é uma estória mais poderia ser um caso real e que, cremos, se passa no cotidiano de várias Lojas Maçônicas. Trata-se do abandono, do desprezo e da falta de percepção sobre o próximo, quando o próximo está longe!
Em uma de nossas Lojas aconteceu um fato corriqueiro: um dos Irmãos faltou à sessão. Passou-se o primeiro dia, o segundo e vários outros sem que nenhum irmão houvesse feito uma ligação para saber o que acontecera. Todos estavam absorvidos por suas atividades no mundo não-maçônico e a irmandade esvaiu-se pelo ralo, afinal de contas irmão só é irmão no dia da reunião.

Maçonaria é para voluntários, se ele não veio é porque não quis ou porque estava envolvido em sua atividade profana, diziam uns. Na próxima semana ele virá, diziam os mais otimistas.  Outros, sequer perceberam a falta do “IRMÃO”. O fato é que o Obreiro havia sido submetido a uma cirurgia. Sua família não sabia que tinha que avisar à Loja e as pessoas que o cercavam não sabiam que ele era maçom (para alguns, isso ainda é um segredo a ser guardado a sete chaves).  

Somente sua ausência avisaria que ele não poderia comparecer à sessão, acreditou o moribundo. A ausência cumpriu seu dever. Falou, gritou, berrou, contudo não conseguiu alcançar o duro coração dos irmãos. Ninguém lhe ouviu. Então, reinou silêncio nas colunas e no oriente.

A cirurgia do obreiro não foi um sucesso e ele permaneceu internado no hospital por dias. Recebeu visitas de todos, menos dos “irmãos”. Não sucumbindo à enfermidade partiu para o Oriente eterno. No enterro, todos, menos os “irmãos”. Na missa de sétimo dia, todos, menos os “irmãos”. Dizem que, às vésperas da morte, sussurrou: IRMÃOS, PORQUE ME ABANDONASTES?  

Decerto, se ele fosse obreiro de uma Loja em que todos não apenas se tratassem, mas fossem realmente irmãos, no dia de sua ausência ou no dia seguinte, todos saberiam o motivo de sua falta e o apoiariam. Quem sabe ele estaria vivo. Tratamos-nos por “irmãos” e várias pranchas já foram escritas justificando o termo, contudo, o que sai da boca não entra no coração. Somos experts nos rituais, na legislação e no conhecimento maçônico. Falta-nos, porém, emoção, sensibilidade, solidariedade e fraternidade para com o próximo. Há grande diferença entre tratar “por” irmão e tratar “como” irmão. É mais que semântica.

Precisamos amar mais, viver mais e agir mais para que, num futuro não muito distante, não venhamos a ser  os próximos a dizer: IRMÃOS, PORQUE ME ABANDONASTES? 

Esta é uma bandeira que levanto!  Ajude seu irmãos, fale com seu irmão, procure saber como ele está? ligue, mande e-mail, faça contato!

Pois Somos IRMÃOS de ORDEM!!!!! PENSEM NISSO!!

sábado, 15 de dezembro de 2012

Eu quero morrer



É isto mesmo que você leu no título: Eu quero morrer.

Na verdade, anseio morrer faz  anos, mas minhas tentativas têm sido frustradas.

Compartilho da mesma filosofia de todo tipo de suicida, apesar de me considerar de um tipo bem diferente. Creio que morte vai trazer finalmente paz para o meu coração atribulado.

Acabo de ter uma idéia muito boa para concretizar meu intento. Após analisar meus sucessivos fracassos, decidi pedir ajuda, pois cheguei à conclusão de que sou tão incompetente que nem mesmo morrer eu consigo, mais um motivo para querer a morte.

Às vezes, até acho que meus planos foram frustrados porque lá no fundo eu não quero morrer. Eu preciso morrer, pois a cada dia que passa suporto menos este mundo e a mim mesmo, mas não consigo abrir mão da minha vida. Eu quero, mas não consigo, por isto necessitarei de auxílio.

E não pedirei ajuda para um qualquer não, tem que ser um profissional, entendido do assunto. Não quero que nada dê errado e eu me torne um vivo inválido, me arrastando ou sendo carregado pelo resto da vida, ou pior, vegetando apenas.

Já escolhi meu executor, e o escolhi muito bem. Sei que ele é especialista e se preocupa em cumprir este trabalho, evitando a dor de sua vítima, desde que esta não se debata muito.
Como já disse, faz anos que quero morrer e busco isto, mas tenho falhado.
Quero morrer para este mundo, violento, corrupto e vil.

Quero morrer para a vaidade, que insiste em me dizer que sou mais bonito que uns, que sou mais inteligente e tenho mais conhecimento que outros e que pelo que tenho, sou melhor.
Quero morrer para a minha soberba, que faz com que me relacione com as pessoas com ar de superioridade.

Quero morrer para a minha falta de compromisso com o que creio e prego e deixar de ser um hipócrita.
Quero morrer também para a minha mesquinhez, que pede misericórdia e perdão para os meus erros, mas justiça e castigo para os outros.
Também desejo morrer para a minha falta de amor, que serve de contra-testemunho para aquilo que digo crer.

Talvez você entenda agora os motivos dos meus sucessivos fracassos em tentar morrer. E saiba que esta lista não se encerra por aqui.
Meu executor? Como disse, é especialista em morte. Tão especialista que até ele mesmo já morreu e é na morte dele que desejo de todo o meu coração morrer. 
Mas morrerei na esperança de que viverei novamente a vida do meu amado executor, porque ele vive.
Meu executor? 
Bem… Creio que já faz idéia de quem seja.
Pronto....Morri!
Agora renasci das cinzas como Fenix,  Nasci dos quatro elementos, vi a LUZ! Sou Maçom!

Fala-se primeiro a si mesmo



Propus-me a escrever algum trabalho para a loja e então passei a recordar o que eu já havia lido de interessante e que contivesse algo relacionado a crescimento pessoal, moral ou algo ligado a isso. Lembrei-me então de três livros que me chamaram a atenção pela mensagem que eu havia encontrado e gostado.
O primeiro foi o livro Ilusões Perdidas, de Balzac, em que ele em determinada parte narra o encontro do personagem principal com uma pessoa misteriosa, no qual esta aconselha aquela.

O segundo foi o livro As Vinhas da Ira, de Steinbeck, que narra a saga de uma família norte-americana no início do século XX, que sai do leste dos Estados Unidos da América e segue para o oeste, em direção à Califórnia em busca de uma vida melhor, sendo que, em certo momento, o escritor narra o diálogo de duas pessoas, em que um pregador comenta para o outro a vida de um terceiro.
O terceiro foi o livro O Tempo da Memória, de Norberto Bobbio, uma autobiografia, em que ele, em certo capítulo, disserta sobre quais as coisas que ele sente que foram mais importantes para ele na sua vida.
Não possuía nenhum deles em casa para relê-los e embasar um texto, mas o que me veio em mente foi que os assuntos que me chamaram mais a atenção para a feitura de um trabalho, possuíam o mesmo tema. Eles falavam sobre a preocupação com o exterior e o material e lembravam que o mais importante era lembrar do interior e do simples.

Então, prosseguindo na análise, percebi que muitas vezes eu distanciava-me dos ensinamentos constantes do Sermão da Montanha (Matheus, cap. 6, vers. 25-34), bem como, também pude perceber, que muitas vezes, quando nós admiramos certa obra ou ensinamento, como uma verdade a ser seguida ou uma filosofia a ser aceita, principalmente para ser recomendada aos outros, em verdade, muito mais serve a mensagem para nós mesmos do que para qualquer outra pessoa, pois compreendi que se fala primeiro a si mesmo.

Os Rituais e a Liturgia


Nos trabalhos correntes de nossas lojas maçônicas, acostumamo-nos a ver os oficiais lerem os trechos do ritual do grau trabalhado, segundo a seqüência neles programada. Nem sempre, tal leitura é feita com a ênfase que a situação possa requerer e não é incomum ouvirmos a má pronúncia de palavras corriqueiras, em parte por deficiência visual momentânea, em parte pela ignorância do texto que está sendo lido. O fato é que o costume de terem, os oficiais, “de cabeça”, o texto ritualístico é apenas uma lembrança de um passado que se afunda, lentamente, no tempo.

A liturgia maçônica se destina à construção de um ambiente de trabalho agradável e sugestivo e, segundo alguns ritos afirmam, à formação de uma egrégora maçônica para a prática do bem (esta acepção não é universalmente aceita). Para atingir aos seus fins, os atos litúrgicos se revestem da pompa necessária, a fim de que os maçons sejam influenciados pela seriedade do momento. Além disso, por ocasião das iniciações, uma boa leitura de alguns textos explicativos contribui para produzir uma forte impressão inicial nos neófitos, fenômeno que se repete a cada nova cerimônia de passagem.

Abre-se, porém, o espaço para algumas observações, a primeira das quais põe em tela a própria existência do ritual como instrumento de trabalho em loja. Na realidade, os atos litúrgico só deveriam ser lidos naqueles momentos em que longos trechos, de difícil memorização, o exigissem, sendo pronunciadas todas as falas ritualísticas sem o auxílio de qualquer papel ou livro. Por não ser observada esta simples regra, vemos, constantemente, cenas inconvenientes que vão do deplorável ao ridículo, como a do Venerável Mestre que, ao consagrar um novo aprendiz, segura a espada flamígera com uma das mãos, o malhete com a outra e o ritual com a outra; como só tem duas delas, vale-se da mão de um dos Irmãos mais próximos. No prosseguimento, vemos a espada apontada para um ponto acima da cabeça do neófito, o malhete pendente da mão direita e o rosto do Venerável Mestre fitando uma terceira direção (desconfortável, aliás).

Saber o ritual de cor acontece, naturalmente, para todos os Irmãos assíduos, aqueles que lograram conciliar seus afazeres profanos com as suas obrigações assumidas na loja. Para estes, a repetição das mesmas frases, sessão após sessão, acaba por fixar-lhes, nas mentes, as seqüências e as palavras-chave, de modo que, ao assumirem uma função em loja aberta, não sentem a menor dificuldade de recitar a sua participação, sem qualquer consulta ao ritual. Não se trata de exibicionismo ou vaidade, mas de demonstração de que o Irmão que assim procede está imbuído do verdadeiro sentido da ritualística de que participa. Infelizmente, rareiam os que fazem isso intencionalmente, principalmente depois de exaltados, quando o Mestre já se julga plenamente formado (quando, de fato, plenitude é dos direitos e deveres, não dos conhecimentos).

Uma segunda observação, que influi na primeira de modo decisivo, é a atualização dos rituais dos diferentes graus simbólicos e sua reimpressão com os novos procedimentos. Não bastasse cada obediência terem seus próprios rituais, com textos modificados ligeiramente, ainda promovem revisões periódicas, buscando um alegado melhoramento que nunca chega. As inserções e exclusões se dão, muitas vezes, ao sabor de opiniões individuais ou isoladas, sem que se respeite a história do rito, as suas tradições, os preceitos esotéricos e os ensinamentos maçônicos em geral.

As oficinas chefes de rito, que deveriam ser a fonte do saber simbólico que as obediências se encarregariam de gerir, raramente têm influência direta na elaboração dos textos ritualísticos e, quando o fazem, é de modo incompleto e, normalmente, com pouca aceitação. Elas preferem deixar ao sabor das obediências simbólicas este problema, sob a alegação de que, sugerindo a ritualística dos três primeiros graus, elas se estariam imiscuindo em seara alheia à sua. Na verdade, isso é pura omissão de obrigações, pois as altas oficinas têm o dever de orientar todo o rito, de alto a baixo da pirâmide filosófica cuja base é o simbolismo.

Ora, a observância de um ritual não deveria passar pelo seguimento cego das letras usadas nas frases que o compõem, e sim, pelo cumprimento dos diferentes momentos da seqüência ritualística preconizada pelas obediências, sempre respeitando a história, a tradição e os mistérios da Maçonaria. Os textos litúrgicos, assim, serviriam de linhas mestras a serem obedecidas, sob a supervisão constante do Guarda da Lei, que teria, aí sim, em sua mesa, um ritual à sua disposição, para que possa intervir quando da ocorrência de algum erro ritualístico crasso, solicitando a sua correção. O Rito de York, por exemplo, não permite a leitura de rituais, durante as suas sessões, o que está absolutamente certo.

Portanto, sendo o ritual uma linha mestra não calcificada em palavras obrigatórias, não existiria a necessidade de revisá-lo e reimprimi-lo tão seguidamente, bastando que os candidatos a Venerável Mestre, Vigilantes, Orador e outros cargos-chaves fossem submetidos, obrigatoriamente, a sessões de instrução e exame de suficiência, que os habilitariam ao exercício efetivo do cargo. Lembremo-nos de que, na maioria das obediências, o interstício mínimo para que um Mestre possa ser Vigilante é de três anos e, para Venerável mestre, cinco anos. Esses períodos são mais do que suficientes para o aprendizado das seqüências ritualísticas obrigatórias para a condução dos trabalhos da loja. É claro que algumas sessões vão apresentar um maior grau de dificuldade, por serem raras, como é o caso da confirmação de casamento, adoção de lowtons, mesa de banquete ou pompas fúnebres. Neste caso, admite-se que sejam feitas leituras dos trechos mais longos ou complexos, assim mesmo, parcimoniosamente.

O fato é que a liturgia não se beneficia da leitura dos rituais e não é melhor executado por conta dela. Ao contrário, por não conhecerem os rituais de cor, é muito freqüente que os erros de leitura comprometam a beleza e a emoção das sessões, particularmente as magnas, diminuindo a influência positiva que deveriam ter sobre as mentes e os espíritos dos obreiros presentes. Ler mal é pior do que improvisar e compromete muito mais do que dizer uma frase ritualística de cor, ainda que com palavras diferentes das escritas. Aliás, pergunta-se qual é a diferença entre dizer-se “Reina silêncio na coluna do Sul, Irmão 1.º Vigilante” ou “Reina silêncio na coluna do Meio-Dia, Irmão 1.º Vigilante” ou, ainda, “Reina silêncio em minha coluna, Irmão 1.º Vigilante”? O importante, neste caso, é a informação de que ninguém mais vai usar a palavra na coluna do Sul, a qual poderá, então, ser concedida na coluna do Norte. Outro exemplo é o anúncio do início dos procedimentos de fechamento da loja, quando os vigilantes dizem “Irmãos que abrilhantais (ou decorais) a coluna do Norte (Sul), eu vos anuncio, da parte do Venerável Mestre que ele procederá ao fechamento desta loja de aprendizes maçons”. Se compararmos aos rituais existentes, muitas vezes estas palavras são ligeiramente diferentes, às vezes nem são mencionadas, mas sempre deverão produzir o mesmo efeito. Então, por que não dizê-las de cór?

Ao defendermos a eliminação das leituras desnecessárias, em loja, temos a intenção de tornar o trabalho ritualístico mais fluído, mais natural e sem complicação, permitindo que o Venerável Mestre conduza a sessão com simplicidade, sem receios nem afobações, dialogando com os seus oficiais de forma natural e sem os deslizes de leituras mal feitas. O Guarda da Lei, neste caso, reassume a sua função essencial que é o de assegurar a observância da ritualística obrigatória, corrigindo, prontamente, eventuais desvios e assegurando a pureza litúrgica. É certo que, com o passar do tempo, os erros diminuiriam e os trabalhos correntes ou magnos das oficinas poderiam ser, costumeira e corretamente, declarados justos e perfeitos.

Os Três Pontos


Os três pontos maçônicos constituem o mais simples e característico emblema do Ternário. Escolhendo esses símbolos com o esquadro e o compasso, como insígnia da Ordem, os seus fundadores deram prova de uma perspicácia e sabedoria que aqueles que conhecem o valor oculto das coisas nunca poderão negar-lhes
Esses três pontos sintetizam admiravelmente o Mistério da Unidade, da Dualidade e da Trindade, ou seja do Mistério da Origem de todas as coisas e de todos os seres.
Encontramos esses três pontos, harmonicamente juntos e diferenciados numa Unidade Oriental e numa Dualidade Ocidental, nas três Luzes do Altar, em torno do Livro da Tradição que pelos séculos é portadora da Eterna Verdade, e dos instrumentos que são necessários para compreendê-la e aplicá-la.
O ponto superior representa, como é evidente, a Unidade Fundamental ou Primeiro Princípio Preantinômico, Originário e Imanente, do qual tudo teve origem. É o Absoluto, o Ain-Soph, cabalístico, que existe “em princípio”, e no qual existem em princípio todas as coisas. Brahma, Vishnu e Shiva o Criador, o Conservador e o Destruidor do Universo Osiris, Isis e Horus, ou seja o Pai, a Mãe e o Filho, formam Nele uma única pessoa e um só ser, uma única e indivisível Realidade. É SAT “o que é” o fundamental Princípio imanente e transcendente de toda existência, o Fulcro Central Imóvel que é Origem e Princípio da Criação.
Os dois pontos inferiores são igualmente uma imagem da Dualidade; os dois Princípios que representam as duas colunas, de cuja união e de cujas múltiplas ações e reações é produzida a multiplicidade fenomênica do Universo. Cada um deles é um diferente aspecto da Unidade Primordial Originária, que permanece indivisa e indivisível em sua dúplice aparente manifestação: um existe enquanto existe o outro, e os dois resolvem-se no Princípio Fundamental do qual tiveram origem. Efetivamente, se aproximarmos os dois pontos inferiores, com movimento igual, ao ponto superior, aproximam-se também, um do outro, e quando se unem a esse, unem-se também mutuamente.
Se traçarmos duas linhas entre o ponto superior e os dois pontos inferiores, obteremos o ângulo que expressa, com seus dois lados emanados de um único vértice, essa mesma dualidade dos dois Princípios, emanações ou aspectos de um só Princípio Originário. E se traçarmos outra linha que una os dois pontos inferiores, obteremos o triângulo, cuja base, unindo os dois elementos, representa o terceiro, que reproduz em si, no mundo do relativo um novo aspecto contingente da Unidade Preantinômica Absoluta.
Assim os três pontos mostram isoladamente os três Princípios que constituem a Unidade Originária e a Dualidade da manifestação. A união dos três Elementos primordiais – o enxofre, o sal e o mercúrio, o Pai, a Mãe e o Filho – que tornam fecunda e construtiva a atividade dos três Princípios.
Enquanto o ponto superior corresponde ao Oriente e ao Mundo Absoluto da Realidade (e, na Loja, ao Delta, emblema da Unidade tri-unitária), os dois pontos inferiores correspondem ao Ocidente, ou seja ao Mundo Relativo, que é o domínio da aparência, e na Loja às duas colunas emblemáticas da Dualidade:
O progresso maçônico acha-se também, aqui, indicado sinteticamente, com o progresso da inteligência, que se ergue sobre o domínio da mente concreta (Reino da Dualidade e dos pares de opostos), estabelecendo-se no sentimento e na consciência da Unidade fundamental de tudo e da identidade essencial de todos os seres, por meio das faculdades superiores da Inteligência, que se baseiam na Unidade, da mesma maneira que a mente concreta baseia sua lógica e seus juízos no sentido da Dualidade.

Quem é meu irmão?

“Senhor, se meu Irmão pecar contra mim, quantas vezes eu deverei perdoar-lhe? Até sete vezes? – Disse-lhe Jesus: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete” (Mat. l8:21-22)

É sabido que só os Irmãos de sangue possuem características comuns que conduzem ao afeto sólido e desinteressado, cultivando o amor familiar.

A Maçonaria resolveu sugerir aos seus iniciados o tratamento cordial e afetuoso de “irmão”, que o receberam com todo o agrado, sem nenhuma restrição, passando a ser uma norma obrigatória nos diversos Corpos da Instituição.

Já no Poema Regius, também chamado de “Manuscrito de Halliwell’ do ano de 1390, o mais antigo que se conhece, recomenda o tratamento de “caro irmão” entre os maçons. Por isso o tratamento de Irmão dado por um Maçom a outro, significa reconhecimento fraternal, como pertencente à mesma família. De fato, traduz uma maneira de proceder muito afetiva e agradável a todos os corações dos que militam em seus augustos Templos. Assim passaram os iniciados ao uso desse tratamento em todas as horas, quer no mundo profano, quer no maçônico. Há um certo grau de satisfação quando nas Lojas maçônicas, partilhamos de momentos gratificantes de bem estar espiritual para o convívio em união. É na verdade uma extensão da nossa própria família e os laços de amizade e fraternidade ali estabelecidos, só poderão ser comparados aos do mesmo sangue.

A essência da Fraternidade é o amor; os maçons dedicam muito amor uns para com os outros; é essa prática que funde o sangue para que haja no grupo uma só criatura.
O bem-querer, a tolerância e a Fraternidade dentro da Loja transformam o homem em criatura dócil, espontânea e fiel, apta a desempenhar a cidadania no mundo profano.
A rigor, o amor fraternal deveria estender-se a toda a humanidade; no entanto, ainda não estamos preparados para isso.

Fisiologicamente, os Irmãos provindos dos mesmos pais são denominados de “germanos”, que em latim significa “do mesmo germe”. Na Maçonaria não há esse aspecto; porém, a Fraternidade harmoniza os seres por meio da parte espiritual; diz-se que os maçons são Irmãos porque provêm da mesma Iniciação, os mesmos modos de reconhecimento e foram instruídos no mesmo sistema de moralidade; morrem na Câmara da Reflexão para renascerem produzidos ou procriados por meio do germe filosófico que transforma integralmente a criatura, refletindo-se no comportamento posterior.

Os Maçons, qualquer que seja o seu grau, dão-se o tratamento de Irmão. Este tratamento existe em todas as sociedades iniciáticas e nas confrarias, onde o seu significado é a condição adquirida com a participação de um mesmo ideal baseado na amizade. É o tratamento que se davam entre si os Maçons operativos.
Além da amizade fraternal que deve uni-los, os Maçons consideram-se irmãos por serem, simbolicamente, filhos da mesma mãe, a Mãe-Terra, simbolizada pela deusa egípcia Ísis, viúva de Osíris, o Sol, e a mãe de Hórus. Assim os Maçons são, também, simbolicamente, irmãos de Horus e se autodenominam Filhos da Viúva.
Os membros de nossa Ordem são estimulados a praticarem um modo de vida que produza um nível elevado em suas relações com seus Irmãos, assim como, com toda a humanidade. Em outras palavras, é preciso não perder o significado e emprestar dignidade à expressão IRMÃO, desprezando as futilidades mundanas e amando o próximo; que cada um de nós se torne útil segundo as capacidades e os meios que o Grande Arquiteto do Universo nos colocou nas mãos para nos provar; que o forte e o poderoso devem apoio e proteção ao fraco, pois aquele que abusa de sua força e de seu poder para oprimir seu semelhante faz desaparecer o sentimento da personalidade.

Quando os homens tiverem se libertado do egoísmo que os domina, viverão como irmãos, não se fazendo nenhum mal, ajudando-se mutuamente pelo sentimento natural da solidariedade; então o forte será o apoio e não opressor do fraco, e não se verão mais homens desprovidos do indispensável para viver, porque todos praticarão a lei da justiça.

Para melhor descrevermos a importância do tratamento “Irmão”, é preciso mencionar a egrégora, atuação da força-pensamento coletiva de pessoas reunidas num local, emitindo vibrações fortes e idênticas, pensamentos da mesma natureza, animado de força boa ou má, conforme o gênero dos pensamentos emitidos. Cada Loja possui a sua egrégora. Em muitas Lojas se forma uma antiegrégora. É quando os Irmãos lá vão para aparecer, disputar primazia, brigar, discutir cargos, assumir a postura divina de donos da verdade, etc.

Membro ativo é o maçom que frequenta assiduamente a Loja e cumpre com as obrigações estatutárias. A Loja conta com a presença assídua de seus associados. É dever do maçom dar assistência à sua associação, sob pena de enfraquecê-la e até adormecê-la.
Membro adormecido é o maçom que deixa de frequentar a Loja, licenciado ou eliminado, com a chance de sempre poder retornar à frequência.

Outro elemento de vida e valor que deve ser observado e ocorre com muitos Maçons em Lojas e Potências podemos chamá-lo “chorão”. É o que vê a vida como um terremoto: o chão ameaçando a abrir, o mundo caindo sobre ele. Corre desesperado para lugar algum ao encontro do nada. Não devemos receber esses estados depressivos, com a idéia de que estaremos ajudando o Irmão a carregar seu fardo.

A rigor, o amor fraternal deveria estender-se a toda a humanidade; no entanto, ainda não estamos preparados para isso.
Há, também, o “desagregador”, criador da discórdia e do sofrimento. Sua atmosfera mental fica carregada de uma força destruidora. Vai à Loja dominado por sentimento de angústia, de obrigação institucional, com ódio, melindres e ressentimentos para gerar culpa ou acusações ou tentar criar tensões nos demais e jamais se entender com os que divergem de suas opiniões. Planta a semente da desintegração nos que são suscetíveis às suas influências. Sua mente se torna como que uma nuvem escura que encobre a luz e o poder da verdade. Ele abafa sua alma com pensamentos maus. Regozija-se com o mal de seus irmãos, pois, no seu orgulho, imagina que o não afetará. Aqueles que se deixam fascinar pelas suas falsidades, não podem ver a verdade e são levados a crer que o falso é justo, que só a vontade egoísta triunfa. Suportar este tipo de Irmão em Loja não é aconselhável, pois ele está tirando o valor da vida dos Irmãos e impondo a sua. Não os condenem, esses por si se destroem.

Outro problema na Loja maçônica são Irmãos “Cometas” com aparições inesperadas, trocam a festa, a TV, o passeio, a viagem, pela tarefa que assumiram livremente. Quando o Venerável lhes cobra comportamento responsável, zangam-se. O argumento usado é que eles dão a sua colaboração à Loja e têm o direito de comparecer quando lhes convier. Afinal, trabalham de graça e têm seus compromissos particulares para atender. Se o dirigente for rigoroso, é comum que se afastem da Oficina, procurando abrigo no pedido de licença ou até do quite placet. É da máxima importância que todos aprendamos a conhecer o poder dos que podem causar males, assim como para fazer o bem.

Estamos todos sujeitos a cometer erros. Ninguém alcançou a alta posição em que se ache tão livre do erro, que possa julgar com retidão todas as causas que levaram seu Irmão ao erro, e quando alguém chega a esse estado, não condena; compadece-se das condições limitadas de seu Irmão e procura fazer-lhe mais fácil a vida pela alegria e a bondade. Perdoemos nossos erros, pois até o direito de errar é sagrado, desde que corresponda ao intransferível dever de assumir a consequência do que se praticou.

Saibamos reconhecer os nossos defeitos para vencê-los. É ao estudarmos o que nos desagrada em nossos Irmãos que chegaremos a eliminar os nossos defeitos, que são muitas vezes semelhantes. Isto nos incitará à benevolência. Sejamos tolerantes para com as opiniões e os atos dos nossos semelhantes. Aprendamos a perdoar as ofensas que nos são feitas. Não tenhamos senão sentimentos, atos e pensamentos positivos.
Esqueçamos nossas desavenças, nossas dificuldades, passemos ao entendimento mútuo, e nos irmanemos em torno do bem e da tolerância.

Impressões Pessoais Sobre a Maçonaria

Minha iniciação (antigamente a iniciação era como um conjunto de provas que determinavam a capacidade de um jovem em atingir a maioridade e as responsabilidades inerentes) na Maçonaria foi um momento intenso e marcante, sendo que a mesma é só o início de uma trajetória para me tornar um maçom.

A quantidade de informações, símbolos e significados ritualísticos me deixam um tanto confuso e preocupado para agir corretamente.
Com certeza, com o tempo e a participação nas sessões, aos poucos as informações vão sendo assimiladas e as coisas fluem de maneira tranqüila. Nessa fase de aprendiz terei embasamento e estrutura na minha caminhada para ser um bom Maçom.

Mas, ao mesmo tempo em que, me cinto orgulhoso da honra a mim concedida, sei que é o começo de uma jornada rumo ao aprendizado, a evolução como filho de Deus, que com certeza, a Maçonaria nos ajuda a trilhar pelo caminho mais justo, humilde, solidário e verdadeiro; pois, como é definido no dicionário Maçonaria é uma sociedade parcialmente secreta, cujo objetivo principal é de desenvolver o princípio da Fraternidade e da Filantropia.

É gratificante saber que um dos compromissos da Maçonaria é a busca do progresso do homem como indivíduo e como membro da coletividade e a luta contra as injustiças das sociedades para com as pessoas de bem. Lendo alguns trabalhos sobre a Maçonaria, li que o nome Maçonaria vem provavelmente do Frances “Maçonnerie” uma construção qualquer, feita por um pedreiro “Maçom”, sendo por isso, seu objetivo mais importante a edificação de qualquer coisa nobre.

Como aprendiz, sou como uma pedra bruta, devendo estudar para adquirir o conhecimento dos mistérios maçônicos, seus simbolismos e as suas interpretações e como disse um irmão nosso “a pedra bruta representa a natureza humana no estado primitivo, ainda rude, rústica, não trabalhada, imperfeita e cheia de arestas. É a imagem do homem sem introdução, com defeitos, vícios e paixões”, e é no interior da loja maçônica que essa pedra bruta começará a ser desbastada onde se verifica o primeiro contato com os outros homens, tão diferentes entre si e com os quais devemos estabelecer laços de união e de fraternidade e desenvolver mais requisitos para formação do Espírito Maçônico.
Nós aprendizes devemos ter a vontade de evoluir (todo o Aprendiz-Maçom tem a faculdade de ascender a todos os degraus da hierarquia maçônica, mas, só conseguiremos pela nossa dedicação a Ordem e os esforços que nela desenvolvermos), de praticar o bem e a justiça; levar em conta sempre a razão, evitando os excessos, as paixões e as ações impróprias. Citando o que disse nosso irmão André em um de seus trabalhos devemos aprimorar a humildade, a caridade, a tolerância e a ética; quando digo aprimorar, é porque acho que para ser iniciado o aprendiz já deve ter essas qualidades, mas com muito a melhorar, é claro, pois, se não tivesse, com certeza não seriamos escolhidos para ser um Maçom.

Apesar do pouco tempo que faço parte dessa família, quando estou nas reuniões, emana no ar sentimento de fraternidade, amor ao próximo, sem espaço para o egoísmo, inveja e outros sentimentos nefastos, a ponto de ter a ousadia de dizer que essa energia que existe na Maçonaria existisse no mundo com certeza não teríamos essa destruição dos valores que acontece nos tempos hoje. Sinto que por mais incipiente que ainda seja meus estudos, à medida que vou lendo sobre a maçonaria vou aprimorando a condução dos meus atos e dos meus deveres como homem que faz parte desse mundo. Entendi que a Maçonaria não é religião, seita ou culto e sim uma grande família, com princípios básicos, aceito por todos os irmãos em todas as partes do mundo, que busca um homem melhor dentro de uma sociedade melhor.

A maneira de como somos recebidos, as atitudes dos nossos irmãos para conosco desperta um sentimento de respeito de responsabilidade para com eles; nos da á certeza que estávamos trilhando no caminho do bem, por isso, é que fomos escolhidos e que agora teremos a chance de tentarmos ajudar a construir um futuro melhor para as próximas gerações. Na Maçonaria a tolerância (não confundir com conivência) é uma virtude importante, pois admite as diferenças entre as pessoas, com seus valores, conceitos e situações. E é na condição de Aprendiz que estou entendendo que sempre devo buscar a minha lapidação, buscando sempre a ética e a fraternidade, e por fim gostaria de agradecer humildemente a honra de pertencer a essa família, Obrigado.