quarta-feira, 6 de maio de 2020

CONSIDERAÇÕES SOBRE O RITO MODERNO

Muito se critica e pouco se conhece a respeito do Rito Moderno ou Francês. Uma das mais infantis acusações (?) ou afirmativas gratuitas que se faz sobre o Rito é ser ele ATEU. É lamentável que maçons, que deveriam conhecer um pouco de filosofia e teoria do conhecimento, façam confusão entre ateísmo e agnosticismo. 
O Rito Moderno, por saber que a atitude filosófica da Maçonaria é a pesquisa constante da verdade, e por outro lado, ao ver que a verdade, para que seja considerada em todo o seu sentido, deve ser absoluta e infinita, abraça a corrente de pensamento que reconhece a impossibilidade do conhecimento do Absoluto pelo homem em sua finitude e relatividade, ou seja o AGNOSTICISMO. Afirmando assim uma posição de humildade perante o Absoluto, o que deveria ser característica de todo Maçom.
Acrescente-se mais que o Gnosticismo, como teoria da possibilidade de conhecimento (não confundir com os chamados “Gnósticos” do início da Era Cristã), afirma que é possível conhecer o absoluto. Ora, o Ateísmo, ao afirmar categoricamente a inexistência de Deus, pertence à corrente gnóstica, posto que, nessa assertiva, mostra ser possível conhecer o Absoluto, donde podemos concluir que o ateu jamais será agnóstico e o agnóstico não pode ser ateu, pois suas teorias da possibilidade do conhecimento se chocam frontalmente.
Por outro lado, há religiões, como o Budismo, que, em sua origem, tomam uma posição agnóstica, não se preocupando em explicar o Absoluto, reconhecendo a impossibilidade de definí-lo. Desta forma, o Rito Moderno acolhe em seu seio, sem nenhum constrangimento, irmãos das mais diversas profissões religiosas e filosóficas, posto que, mesmo sendo ele agnóstico, não impõe aos seus membros o agnosticismo, mas exige deles uma posição relativa quanto à possibilidade de que outros Irmãos, que abraçam outra filosofia, estejam certos, ora quem é dono da verdade não tem necessidade de pesquisá-la ou procurá-la.
Outra afirmativa que se faz sobre o Rito Moderno é sua anti-religiosidade, o que não passa de outra confusão, que os dicionários, se consultados, ajudariam a esclarecer. O prefixo “anti” quer dizer “contra”. O que melhor caberia para o Rito é o prefixo “a”, que significa “inexistência”, “privação”; e é empregado no sentido de equidistância entre o “a favor” e o “contra”. A maçonaria é equidistante das religiões, não é uma seita religiosa, e os Irmãos que assim a tornam são, evidentemente, ou aqueles que procuram desvirtuá-la, ou aqueles que insatisfeitos com suas religiões procuram na Maçonaria uma nova religião ou a compensação para as suas frustrações místicas.
E, é baseado na equidistância perante as religiões que o Rito Moderno não adota a existência da Bíblia no Triângulo de Compromissos, Altar de Juramentos para outros Ritos. Os defensores da colocação da Bíblia alegam que deve haver um “livro da lei revelada”. Ora, a Bíblia só passou a ser adotada em algumas Lojas a partir de 1740, antes disso Anderson e os demais Maçons aceitavam a obrigação do “Livro da Lei”, Lei Maçônica, Lei Moral. Acrescente-se, ainda, que existem religiões, tais como a Umbanda, o Candomblé, a Pajelança, e outras, com diversos adeptos entre nós, que possuem um livro da lei revelada, cuja tradição é oral. Perguntamos, que livro religioso se colocaria na presença de tais Irmãos?
Vemos constantemente Irmãos Judeus e Muçulmanos, quando Iniciados e em suas exaltações, compelidos a jurarem sobre a Bíblia Cristã, em tradução Católica ou Protestante, numa autêntica violação de suas consciências e dos princípios maçônicos, ou numa prova de que tais juramentos são falsos. Nosso “Livro da Lei” são os princípios da Sublime Ordem, quando muito as Constituições das Potências às quais pertença a Loja, onde constam tais princípios, ou, ainda, as Constituições de Anderson, em sua redação original, que deu origem à institucionalização da moderna Maçonaria. Aproveitamos para transcrever o artigo primeiro da Constituição de Anderson, que é bastante claro a respeito do assunto: “O Maçom está obrigado, por sua vocação, a obedecer a Lei Moral, e se compreender seus deveres, nunca se converterá em um estúpido ateu nem em um irreligioso libertino. Apesar de nos tempos antigos os Maçons estarem obrigados a praticar a religião que se observava nos países em que habitavam, hoje crê-se mais conveniente não impor-lhes outra religião senão aquela que todos os homens aceitam, e dar-lhes completa liberdade com referência às suas opiniões particulares. Esta religião consiste em ser homens bons e leais, quer dizer, homens honrados e probos, seja qual for a diferença de denominações ou de convicções. Deste modo, a Maçonaria se converterá em um centro de União e é o meio de estabelecer relações amistosas entre pessoas que, fora dela, teriam permanecido separadas”.
Após a leitura deste texto, muito pouco se poderá acrescentar a respeito, além de que há religiões que não permitem ao homem se ajoelhar perante seu semelhante, como exigem alguns Ritos, o que não é permitido no Rito Moderno. Mais uma vez o Rito prova, com sua atitude, ser equidistante e respeitar a religião de todos os Irmãos. Bom seria que os Irmãos, que se intitulam religiosos, estudassem um pouco a história e o conteúdo de outras religiões além das nossas, saindo de uma posição sectária, proibida pela Ordem.
Outra “terrível” acusação que se faz ao Rito é não invocar e tampouco adorar o “GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO”, tendo inclusive evitado o uso de seu nome nos Rituais. Ora, meus Irmãos, por mais boa vontade de que possamos estar imbuídos, jamais deixaremos de invocar as entidades religiosas a que estamos ligados dentro de termos e Rituais próprios de nossa religião, e, estaremos desta forma sempre ferindo e violando as crenças e as formas de adoração de outros Irmãos. Deixemos as adorações e as invocações para fazê-las em nossas Igrejas, nossas Sinagogas, nossos Templos religiosos, nossos Centros, nossos Terreiros, nossas Casas e evitemos fazê-las em Loja, onde temos a obrigação de não forçar qualquer Irmão a repetir fórmulas com as quais sua consciência não possa concordar.
Quanto ao não uso do nome do Grande Arquiteto do Universo nos Rituais: este uso só começou a ocorrer a partir da Convenção de 1877, por conclusão do relator da proposta de exclusão do seu uso nos Rituais do Grande Oriente de França, e, é bom lembrar que este Irmão relator era um religioso, o pastor protestante Frederico Desmons. Este foi o grande motivo para que a Grande Loja Unida da Inglaterra rompesse relações com o Grande Oriente de França
No entanto, o Grande Oriente da Bélgica, desde 1872, vedara a invocação e a inclusão do Grande Arquiteto do Universo nos seus Rituais, e nem por isso a Potência inglesa rompera relações com os belgas. O principal fundamento para a exclusão do nome do Grande Arquiteto do Universo dos Rituais é terem os Irmãos, como se pode observar, utilizado dia a dia o símbolo do Princípio Criador da Energia inteligente, do Ente Supremo, do mesmo modo que se vulgarizou o termo Deus, particularizando o seu emprego, invocando-o e adorando-o, conforme sua religião e não como símbolo de todas as concepções que se tenha do que é a Origem do Universo.
Antes de encerrar essas breves considerações gerais sobre o Rito Moderno ou Francês, não poderíamos esquecer o problema dos “Landmarks”. O que são “Landmarks”? O próprio nome diz: são marcas de terra, limites, lindeiros, e como tal devemos considerá-los, jamais como dogmas.
Lembremo-nos: NA MAÇONARIA NÃO EXISTEM DOGMAS, EXISTEM PRINCÍPIOS. No Brasil, existe uma verdadeira psicose pelos “Landmarks” de Mackey, e, no entanto, quando a Maçonaria veio para nossa Pátria, eles sequer existiam, tendo aparecido apenas em 1858.
Meus Irmãos, fica a pergunta: quem deu poderes, que entidade inspirou ao nosso Irmão Mackey para firmar dogmas dentro da Sublime Ordem? Particularmente um deles: o 25º, que não permite qualquer alteração, ferindo o princípio da investigação constante da verdade, da evolução, da pesquisa, de se afirmar progressista: nada pode mudar a partir dele, é o dogma da imutabilidade, da não evolução. É evidente que o Rito Moderno, dentro desses termos, não poderia aceitar os “Landmarks” de nosso querido Irmão, que pretendeu impedir um dos fundamentos da Maçonaria: A LIBERDADE.
Meus Irmãos, diversos são os “Landmarks” mais conhecidos, tais como os de Findel, de Lecerff, de Pound, de Mackey, de Grant, que chegam a 54, e muitos outros. Qual deles é o profeta da Maçonaria que recebeu inspiração divina pra que se afirme ser sua catalogação a correta? Que Congresso Maçônico mundial concluiu serem estes ou aqueles os “Landmarks” aceitos universalmente? Deverão os “Landmarks”, mesmo que universais, estacionarem no tempo e no espaço? Apenas como lembrança, devemos citar que muitos dos nossos Irmãos de outros Ritos e de outras Potências concordam plenamente conosco na tese que abraçamos sobre os “Landmarks”.
Conclamamos aos Irmãos de todos os Ritos e de todas as Potências: devemos nos preocupar com aquilo que nos une, e, relegar ao segundo plano o que nos separa. Este é o fito primordial do Rito Moderno quando dá origem à instituição de um “Grande Oriente”: admitir a diversidade dos Ritos, unindo, numa mesma Potência, Irmãos das mais diversas posições filosóficas, num verdadeiro Universalismo, pois este é o princípio fundamentalda Sublime Ordem.

O RITO MODERNO

Seu nome origina-se da adoção do Ritual da "primeira" Grande Loja de Londres, conhecida como a dos “Modernos”. O Rito Moderno ou Francês  foi criado  em Paris no ano de  1761, instituído em 24 de dezembro de 1772 e proclamado em 09 de marco de l773, pelo Grande Oriente de França, sendo instalado solenemente em 22 de outubro de 1773. 

Estabelece sua Câmara de Altos Graus em 1782, visando dar ordem às centenas de Graus e de rituais então existentes no seio da Maçonaria universal. Através da Circular de 1784 cria o Grande Capítulo Geral de França. Este Grande Capítulo redige um Ritual próprio agrupando os diversos graus em 5 Ordens filosóficas, com a administração dos Capítulos que trabalham nos graus acima do terceiro ficando confiada a esta Câmara a partir de 1786. 

Nascido do desejo de se criar uma unidade racional na diversidade de correntes de pensamento vigentes à época, o Rito Moderno é filho e herdeiro direto do pensamento iluminista. Embora criado sob moldes racionais, pautou inicialmente suas regras na primitiva Constituição de Anderson, deísta e tolerante no aspecto religioso. 

Após a Revolução Francesa, em 21 de maio de 1799, GOF e GLUI redigem um tratado de união. Entretanto, em 1815, a GLUI, altera a Constituição de Anderson, tornando-a dogmática e impositiva, como se pode perceber nas conhecidas citações aos “ateus estúpidos” e aos “libertinos irreligiosos”, características que bem poderiam designar muitos dos maiores filósofos e pensadores da humanidade.

 Em 1877 vem a ruptura definitiva entre as duas potências, quando o GOF extingue a obrigatoriedade da crença em Deus e na imortalidade da alma como reconhecimento de um homem como maçom. Coerente com esta linha de pensamento, e, talvez por causa disso, considerado o condutor da Maçonaria do 3º Milênio, o Rito Moderno dá ao maçom o direito de pensar com irrestrita liberdade, o dever de trabalhar para o bem-estar social e econômico do cidadão, e a capacidade de defender os direitos naturais e sociais do homem, seja de qualquer cultura ou nacionalidade.  Este humanismo explícito, muitas vezes atrita-se com o status quo social, do qual a religião é um de seus pináculos básicos. 

O Rito Moderno não considera a Maçonaria como uma ordem mística, embora seus três primeiros graus o sejam, baseados que estão no pensamento judaico-cristão. Ainda assim, o maçom do Rito Moderno é naturalmente cientificista e, portanto, pedagogicamente mais afeito à forma do aprendizado do que ao seu conteúdo. Entende que a busca da verdade realiza-se no Grau de Aprendiz pela intuição, no Grau de Companheiro através da análise e culmina no Grau de Mestre pelo desenvolvimento da capacidade de síntese, num processo evolutivo lógico-racional baseado no pensamento científico contemporâneo. 

Os padrões de conduta do Rito Moderno são racionais e cartesianos, enriquecidos  na contemporaneidade, por um Humanismo essencialmente democrático e plural. Características essenciais para um mundo globalizado. Em 1822, o Grande Oriente do Brasil é fundado sob a égide do Rito Moderno, visto que, em 1802, Hipólito José da Costa trouxe de Londres e de Paris a Carta-Patente regularizadora do funcionamento do Grande Oriente Lusitano na então colônia brasileira. Sendo este, como todo Oriente, praticante do Rito Francês, o GOB herda o Rito Moderno da metrópole lusa, conduzindo e irradiando sua chama iluminista, emancipadora e libertária até os dias atuais.


BIBLIOGRAFIA CONSULTADA.

ANTUNES, Álcio de Alencar. O Rito Moderno no Contexto da Maçonaria Universal. In: Supremo Conselho do Rito Moderno. O Rito Francês ou Moderno: A Maçonaria do Terceiro Milênio. Londrina, PR, Ed. Maçônica A Trolha, 1994
BAPTISTA, Antonio Samuel. Rito Moderno: Uma Interpretação. In: Supremo Conselho do Rito Moderno. O Rito Francês ou Moderno: A Maçonaria do Terceiro Milênio. Londrina, PR, Ed. Maçônica A Trolha, 1994.


CASTELLANI, José. Manual do Rito Moderno. Editora A Gazeta Maçônica, 1991.
NETO, Antonio Onias. O Rito Moderno ou Francês. In:

WIKIPÉDIA. Rito Moderno. in: http://pt.wikipedia.org/wiki/Rito_Moderno
  Acesso em 26/02/2012
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A IMPORTÂNCIA DO GRAU DE APRENDIZ



Somente aqueles que verdadeiramente reconhecem a importância do Grau de Aprendiz, que entendem que seremos sempre “Eternos Aprendizes”, poderão efetivamente se considerar Maçons e não “Profanos de Avental”.

É no Grau de Aprendiz que se começa a aprender o que é a Maçonaria. Sem absorver, sem atentar minuciosamente para tudo o que se passa nesse Grau, sem pressa de galgar outros Graus, é que o Iniciado se converte num verdadeiro Maçom, num pedreiro construtor de si próprio e da Sociedade.

É necessário compreender primeiramente e nos mínimos detalhes, por mais simples que possam parecer, cada um dos ritos iniciatórios e seus simbolismos, sem o qual o aprendizado ficará comprometido para a segunda fase, que são os ritos previstos nos Rituais das sessões do Grau.

Nas sessões, cada fala, cada prática ritualística, tem um propósito definido, embora oculto, e que deve ser igualmente estudado com atenção.

Compete ao Aprendiz aprender. Ele não fala, ele ouve. Será instruído pelos Mestres, mas deve estar atento ao que lhe é ensinado, retendo apenas o que se coadunar com seu intelecto e com o que aprendeu em obras de grandes autores maçônicos. Deve sempre questionar se considerar a instrução inadequada. Isso porque nem tudo o que os Mestres ensinam está rigorosamente correto, pois é fato que muitos galgaram os graus sem o necessário conhecimento para tal. É com livros de bons autores maçônicos, que se avança no conhecimento do Grau. Mas igualmente deve estar atento, pois nem tudo o que já se escreveu sobre a Maçonaria é confiável. 

A Verdade é tão complexa que seria temerário alguém se julgar sua detentora. Por isso, a Verdade só pode ser considerada Verdade quando se coadunar com a Razão.

E saiba, uma Loja é Loja por causa dos Aprendizes.

OS SEGREDOS E O GRANDE SEGREDO




A Maçonaria não é secreta e nem tudo é segredo na Maçonaria. A Maçonaria não está alicerçada em segredos ou pseudo-segredos. A Maçonaria é muito mais do que isso. E quem pensa de forma diversa tem um conhecimento raso do verdadeiro sentido da Ciência Maçônica.

Os segredos podem ser divididos em duas classes: os segredos no plural e o segredo no singular.

A primeira classe, dos segredos no plural, remonta à época da Maçonaria Operativa e é dividida em três categorias: (1) O que é tratado em Loja; (2) Os confiados por um Irmão; e (3) Os meios de reconhecimento.

As duas primeiras categorias de segredos, por óbvias, dispensam maiores comentários e estão relativamente bem preservadas, mas a terceira classe de segredos vem sendo divulgada em livros e pela Internet e deixaram de ser segredos, tornando-se meros “Segredos de Policinelo”. Mas não se deve ter grandes preocupações quanto a isso, pois esses tais meios de reconhecimento são herança de nossos antecessores da Maçonaria Operativa, dos Maçons obreiros, que se dedicavam à construção de edificações.

 Na época das guildas corporativas de pedreiros da Idade Média, além dos segredos profissionais, nossos antigos Irmãos, sem possuírem documentos que os identificassem, e mesmo que tivessem seriam inúteis, pois geralmente eles eram analfabetos (daí que, por exemplo, o Poema Regius foi escrito em versos para facilitar a memorização de nossos iletrados antecessores), precisavam de sinais, toques, palavras, senhas e contra-senhas para identificarem-se como Maçons quando viajavam e para demonstrarem o seu grau de conhecimento do ofício. 

Esses meios de reconhecimento só não caíram em desuso simplesmente por tradição, por herança histórica, pois todo Maçom modernamente possui um documento de identificação maçônica emitida por sua Obediência, constando seu nome, número de cadastro, Loja e Grau em que está colado. E até quando viajam para outros países podem ser identificados por Passaporte Maçônico emitido por sua Obediência.

É possível e não é de todo improvável, que num futuro ainda indefinido, esses meios de reconhecimento, então já de amplo conhecimento do público em geral, se juntem aos antigos Alfabetos Maçônicos baseados em ângulos, que deixaram de ser usados devido a sua simplicidade e de serem facilmente decodificados, tendo sido substituídos por abreviaturas terminadas em três pontos formando um triângulo. Os Alfabetos Maçônicos, embora não mais sejam usados, continuam sendo estudados, pois fazem parte da História da Maçonaria, conquanto alguns símbolos de nossa história, como a Argila, o Giz e o Carvão, ficaram totalmente esquecidos e a grande maioria dos Maçons modernos nunca ouviram falar deles.

A segunda classe, do segredo no singular, parece ter se originado já na Maçonaria Especulativa, com a introdução de certas práticas e filosofias inexistentes na fase Operativa da Maçonaria. Esse segredo no singular, é que é verdadeiramente o Grande Segredo da Maçonaria. É um segredo totalmente filosófico que a linguagem humana não saberia traduzir, visto que as palavras correspondem a conceitos ao passo que o pensamento esotérico eleva-se acima do pensamento conceitual. Como trair ou divulgar esse Grande Segredo, se ele é pessoal, intransmissível e que poucos o alcançam?

Esse Grande Segredo, não é algo oculto, é algo que necessita de dedicação nos estudos, pesquisas, conhecimento e percepção para ser alcançado. Alguns o alcançam ainda no Grau de Aprendiz, outros no Grau de Companheiro e outros no Grau de Mestre. Não o encontrando nesses três Graus, não o alcançarão nos chamados Altos Graus. Não estudaram, não pesquisaram e não adquiriram os conhecimentos necessários para o alcançar e terão que descer dos pedestais, deixar de lado os diplomas e comendas e recomeçar a subida dos degraus, um a um, a começar pelo Grau de Aprendiz. Sem o pleno conhecimento desse primeiro Grau, o Grande Segredo é inatingível

A VAIDADE



Muito se fala que devemos reprovar a Vaidade, confundindo-a geralmente com um dos 7 Pecados Capitais, a Soberba, que é o Orgulho, a Arrogância e a Vaidade desmedidas.

A Vaidade em excesso devemos, sim, combater, mas quem não tem “um pingo de Vaidade” é um relapso, uma pessoa que não cuida da sua aparência, que não se valoriza.
Todos nós, em maior ou menor escala, somos Vaidosos, e a mulher comumente é mais que o homem. E apreciamos isso nelas.

Muitos casamentos são desfeitos justamente por uma mudança de comportamento, seja da mulher ou do homem, que durante a fase de namoro e noivado procuravam se mostrar de uma forma, e passados alguns anos de convívio deixaram de lado a Vaidade.

E nós, os Maçons? Não somos Vaidosos?

Alguns ingressam nos nossos Quadros com o único intuito de poderem se vangloriar de serem “Maçons”, como se isso acrescentasse algo ao seu status e não percebem que continuam sendo meros “Profanos de Avental”.

Outros, para demonstrar uma erudição, real ou imaginária, por mera Vaidade, se apresentam em Loja para fazerem longos discursos, enfadonhos e muitas vezes sem qualquer conteúdo.

E parece que a Maçonaria, sem se aperceber, estimula essa Vaidade desmedia, com diplomas disso, medalhas e comendas daquilo, aventais coloridos diferenciando os Mestres, seja por seu Grau ou por ocuparem cargos em sua Alta Administração.

E os chamados Graus Filosóficos, cursados por muitos que mal conhecem os Graus Simbólicos, criam inúmeros “pavões vaidosos”, com seus títulos pomposos, com uma infinidade de Graus que nem são iniciáticos, que se recebem por comunicação, mas com uma profusão de diplomas e aventais coloridos para afinal os Vaidosos poderem estufar o peito e dizer “sou 33”, "Sou 9", "Sou o Pavão Mor da cabeça vermelha"!

Portanto, meus IIrm.’. devemos nos policiar. Todos somos Vaidosos, mas o que não devemos é extrapolar, a Vaidade Desmedida deve ser combatida diuturnamente dentro de cada um de nós.

DEFINIÇÃO DE PROFANO, GOTEIRA, CURIOSO, SIMPATIZANTE, DETRATOR E FALSO MAÇOM




PROFANO: Muitos ao serem adjetivados como Profano levam a mal, entendendo que é um termo pejorativo, oposto às coisas sagradas ou mesmo herético. Ledo engano! Profano é todo aquele que é estranho a uma determinada religião, um leigo. Em Maçonaria, significa tão-somente o indivíduo que não foi iniciado na Maçonaria.
GOTEIRA: Como o termo Profano, a palavra Goteira muitas vezes é entendida pelos não iniciados como um adjetivo pejorativo e levam a mal. Enganam-se! Goteira é um antiquíssimo jargão maçônico, originado na prática dos Maçons Operativos de castigarem os não iniciados que tentavam se infiltrar nas Lojas Operativas para obterem os segredos da arte de construir e, quando descobertos, eram colocados debaixo de uma Goteira, uma calha de chuva, para serem encharcados. A prática permaneceu nos primórdios da Maçonaria Especulativa e, modernamente, define aqueles que não são iniciados na Maçonaria, os Profanos, que se fazem presentes em um grupo de Maçons.
CURIOSO: É o Profano, Goteira ou não, que tem interesse em conhecer a Maçonaria. É muitas vezes mal interpretado pelos Maçons, que habitualmente têm uma postura de desconfiança em relação a curiosidade que alguns manifestam a respeito de sua origem, sua história, seus propósitos, seus usos e seus costumes. Entendemos que a curiosidade não deva ser criticada ou refreada, ao contrário, deve ser bem-vinda e até estimulada para que não perdurem idéias errôneas a respeito da Maçonaria, alimentadas pela ignorância e pelos Detratores da Maçonaria, que entre outras ridículas inverdades, afirmam que cultuamos o diabo, que praticamos ritos satânicos ou estamos empenhados num complô para o domínio do mundo. A curiosidade é uma virtude daqueles que não se conformam em limitar o seu conhecimento ao trivial, dos que se interessam em ampliar os seus conhecimentos e os seu horizontes, afinal, já disseram que “A curiosidade é a mãe de todas as invenções”.
SIMPATIZANTE: É o Profano, o Goteira, o Curioso, que após ter obtido alguns conhecimentos através de contatos com Maçons ou literatura Maçônica, almejam ingressar na Maçonaria. Alguns não tiveram a oportunidade de serem convidados e outros não apresentam os requisitos necessários para tal.
DETRATOR: Em geral, o Detrator é um Profano idiota, que acredita piamente nas inverdades sobre a Maçonaria que lê ou ouve e as dissemina. Por mais que se tente esclarecê-lo, adota a postura do avestruz e não aceita qualquer tipo de argumentação.
Mas existem outros Detratores pretensamente mais esclarecidos, que se tornam verdadeiros mentores dos Detratores idiotas, mas que nem por isso deixam de ser igualmente idiotas. São geralmente fanáticos arraigados a conceitos religiosos distorcidos ou meramente pessoas de má-fé, que produzem elucubrações mirabolantes e desenvolvem teorias pretensamente eruditas, que uma mente sugestionável, como a dos Detratores idiotas, acaba acreditando tratar-se de verdades absolutas, ao invés de procurarem conhecer o que é verdadeiramente a Maçonaria, preferindo o caminho mais fácil de acreditar nas asneiras que ouve ou lê.

FALSO MAÇOM: É o Profano, o Goteira, o Curioso, o Simpatizante, que por não ter sido, por algum motivo, convidado a ingressar na Maçonaria, se passa por Maçom até mesmo entre Maçons, fazendo uso inclusive de abreviaturas, terminologia Maçônica, assinatura com três pontinhos, chaveiros com o emblema da Maçonaria e adesivos, preferencialmente com a figura de um bode.
É um falsário extremamente perigoso, pois além de eventualmente disseminar entre os não iniciados ideias distorcidas sobre a Maçonaria e os Maçons, pode vir a obter, por dissimulação junto aos Maçons, conhecimento de práticas que só dizem respeito àqueles que foram iniciados na Ordem. Além disso, por não terem sido iniciados e, portanto, não conhecerem verdadeiramente o que é a Maçonaria, ao abrirem a boca ou escreverem sobre a Maçonaria, acabam dando margem a certas mentiras propagadas pelos Detratores. São certamente portadores de um desvio de personalidade que melhor poderia ser analisado por um psiquiatra.
A Constituição de Anderson, no capítulo “Da Conduta” já previa como lidar com eles: “Deverão cautelosamente examiná-lo, com o método que a Prudência lhe apontar, e que vós não sejais iludidos por um ignorante embusteiro, a quem vós devereis rejeitar com desprezo e escárnio, e devereis cuidar de não passar a este nenhuma alusão a respeito de conhecimento”.
Particularmente, pela Prudência recomendada, sugiro que não sejam utilizados os métodos usuais de reconhecimento, para não expô-los a esses Falsos Maçons. Já desmascarei muitos deles fazendo-lhes perguntas corriqueiras, tais como o nome da Loja, o nº da Carta Constitutiva, a Potência, o Oriente, a Grande Loja, o Rito, o nome histórico, o Grau, a idade, o nome do V.’.M.’., os dias das reuniões, entre outras. Algumas perguntas por si sós e outras de forma combinada, desmascaram qualquer Falso Maçom, sem expor os métodos usuais.
Fica a dica!

QUAL É A DIFERENÇA ENTRE SEGREDOS E MISTÉRIOS?


- SEGREDO: É algo simples que não carece de tempo, estudo ou pesquisa para ser compreendido. É algo oculto que ao ser revelado deixa de ser segredo. Assim, a grande maioria dos ditos segredos maçônicos são, na verdade, o que se conhece como “Segredos de Polichinelo”, ou seja, informação que deveria ser secreta, mas que já é do conhecimento de todos;
- MISTÉRIO: Mistério não é Segredo, não é algo oculto, é algo que necessita de tempo, estudo, pesquisa, conhecimento e percepção para ser entendido.
Invariavelmente as antigas instituições filosóficas e religiosas dividiam seus ensinamentos em públicos ou exotéricos (de caráter geral e ético, ministrados sob a forma de contos, alegorias e parábolas) e restritos ou esotéricos (de caráter individual e místico, reservados aos iniciados).
Jesus também assim procedeu. Na Bíblia podemos confirmar que se para o público em geral seus ensinamentos eram limitados e por parábolas, para seus discípulos tudo lhes era revelado: Marcos 4:11: E ele disse-lhes: A vós é dado saber os MISTÉRIOS do reino de Deus, mas aos que estão de fora, todas estas coisas se ensinam por parábolas.
Marcos 4:34: E sem parábolas nunca lhes falava; porém tudo declarava em particular aos seus discípulos.
Então meus IIrm.’. a esse Mistério, chamamos o “Grande Segredo”, que não é comunicado nem confiado, é algo incomunicável, pois a linguagem humana é incapaz de traduzir, uma vez que as palavras correspondem a conceitos ao passo que o pensamento esotérico eleva-se acima do pensamento conceitual.
Nenhum profano, que eventualmente teve acesso aos ditos “Segredos”, deles nada extrairá, pois somente quem foi ritualmente iniciado, quem viu a Luz Maçônica, poderá estar instrumentalizado a acessar O Grande Segredo, que é algo individual e que nem todos alcançam e, talvez por isso, por não terem alcançado o “Grande Segredo”, muitos acham que tudo é Segredo na Maçonaria.