Por:Denilson Forato
Em
qualquer discussão, aquele que concorda com seu interlocutor está
apoiando a caminhada, transmitindo energia para a persistência na mesma
linha de pensamento. E isto é muito bom! Discordar também é bom e
salutar. Ruim é quando o pensamento de alguém é ignorado. É suficiente
para deixar qualquer um triste, chateado mesmo! Isto porque, em tal
circunstância, conta-se com uma grande perda, algo além do ódio, algo
que nem mesmo considera o próximo igual, quanto mais companheiro, irmão.
Poderá existir mal maior?
É
deveras apreciado quando aportam aqueles que não concordam. A sua
interpelação não é considerada ofensa, ao contrário, vê-se nisso uma
demonstração de coragem, de profundo amor pelo interlocutor, algo que só
o irmão faz.
Compartilho
com Elie Wiesel, escritor de nacionalidade norte-americana e romena: "O
oposto do amor não é o ódio, mas a indiferença". Partindo deste
pensamento pode-se formular salutar postura diante da crítica
construtiva.
Como
é importante aquele que discorda que se opõem com ideias e pensamentos
que fazem ambos crescerem! Poderá existir bem maior? Existirá
demonstração de amor, de carinho maior que este? Que venha! Que desça o
malho na cabeça do cinzel e mande para longe as asperezas. Todos
crescerão! Críticos e criticados.
O
ovo, mesmo não sendo um símbolo da Maçonaria, é reconhecido por ela
como o símbolo da vida, a junção entre o masculino e o feminino, o
inicio, o começo de uma nova vida, a fertilidade. O ovo cósmico é
considerado o início de todas as coisas e dele deriva o ovo filosófico. O
Grande Arquiteto do Universo é um grande escultor, porque lindas são as
figuras irregulares que ele cria usando choques irregulares,
constantes, às vezes fortes, outras vezes suaves. Uma atividade
inconstante no tempo, a semelhança da atuação do malho e do cinzel.
Sucessivos choques entre pedras brutas do fundo do rio arrancam pequenas
lascas, culminando com o arredondamento das pedras originais, e as
transformam em algo belo, irregular, quase sempre semelhante a um ovo.
Porque será? É um artista caprichoso! A matemática do Grande Geômetra é
complicada! Ele deve ter uma formulação estatística e matemática para
orientar estas pancadas que resultam nestas belas obras de arte e que
são encontradas em profusão por ai. O que para Ele é matemática, para as
suas limitadas criaturas é o caos.
Sabe-se
que onde o limitado intelecto humano atua, a linha irregular, devido
sua complexa interpretação, muitas vezes é desconsiderada, mormente se a
emoção toma conta, aí então, fica difícil pensar.
Partindo
da observação da natureza poder-se-ia inferir que discussões
acaloradas, onde aportam ideias conflitantes, tem a faculdade de polir
as pessoas de uma forma até mais caprichosa que numa outra, onde cada um
concorda com a linha de pensamento do outro, e estes debates mais
quentes têm a faculdade de abrir caminhos que facilitam a interpretação
de temas complicados.
O
caos, na Maçonaria, tem relação com a intelectualidade. Poderíamos
afirmar que de uma discussão caótica e acalorada, aonde interlocutores
se chocam aleatoriamente e reiteradas vezes, podem aportar resultados
fascinantes, totalmente novos, poderá vir a dar à luz um "ovo". E deste
"ovo", deste novo conceito, a origem de nova verdade, propiciar novo
horizonte, induzir à compreensão de antiga verdade com novo formato,
mudar a posição do observador para novo e inusitado ângulo.
Numa
etapa seguinte, com a visão modificada, o uso do cinzel poderia
mudar-lhe a forma para equilibrar a interpretação do calor da discussão
emotiva com a frieza do intelecto.
É
comum o uso de uma técnica conhecida como "brainstorm", em português
"tormenta cerebral", ou ainda, em português bem claro, "torró de
parpite". É um recurso para detectar soluções e solucionar problemas
muito complicados. Consiste em reunir um grupo de pessoas, tecnicamente
aptas e envolvidas na mesma linha de atuação, expor o problema, enunciar
soluções já aventadas, para em seguida solicitar que cada um do grupo
exponha o que lhe vem à cabeça, por mais ridículo que esta ideia lhe
pareça. Estas colaborações são então tabuladas, comparadas, analisadas e
sintetizadas pelo mesmo grupo. Repete-se o processo tantas vezes
quantas se julgarem necessárias, ou até aportar uma solução satisfatória
para o que lhe deu causa. Esta é uma técnica baseada no caos. E
funciona!
A
discussão acalorada é assim, baseada em choques aleatórios de palpites,
de considerações. O que de início parece tolice, agressão ao intelecto,
é na verdade a manifestação da intelectualidade. E dela afloram
pensamentos inusitados. Esta a razão de valorizar, e enaltecer muito
àquele que tem a franqueza, a honestidade, a coragem de levantar e
dizer: Eu não concordo!
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