EX-VENERÁVEL DONO DA LOJA
* Ir.'. Denilson Forato
É
uma situação que ocorre com frequência na Maçonaria brasileira e quiçá
na mundial. O que vem a ser esta situação? Simplesmente, conforme o
titulo do trabalho já sugere, é um Irmão que exerceu sua gestão como
venerável de uma loja e que seu desempenho pode ter sido muito bom ou
muito mau, mas seu mandato se esgotou, e ele esquecendo que já passou o
seu momento como principal gestor da loja e que deveria ficar quieto no
seu canto, insiste em se intrometer nos trabalhos da nova liderança que
democraticamente surgiu na sua loja através do voto. Apegado ao poder,
chega aos limites da hipocrisia que como se sabe é o ato de fingir
qualidades, ideias ou sentimentos que em realidade ele não tem e isso às
vezes se torna uma verdade para ele ainda que falsa, um verdadeiro
sofisma, e ele acreditando ser o que sabe tudo, que sabe mais que os
outros, em fim é o dono da verdade. Ele não sabe se conter, não consegue
ficar sem dar palpites, ou dar ordens ao novo venerável, ou criticar o
novo líder, não somando as suas forças com as da nova gestão, pelo
contrário, atrapalhando-a. Se o novo venerável não for um líder
pragmático, pulso forte, que não saiba se impor, ficará a mercê do
antecessor, não podendo exercer a sua gestão a contento como planejou.
Todavia, numa loja democrática, não faltarão Irmãos que com coerência e
bom senso, tomarão partido do novo líder e os mais habilidosos, chegam
ao ex e com muito jeito, com parcimônia tentam faze-lo compreender a
nova situação, o que às vezes não conseguem havendo até em certos casos
uma cisão na loja. Muitas novas lojas foram fundadas por ex-veneráveis
que não souberam respeitar a nova liderança. Este é um fato inconteste.
Este apego ao poder é algo que o ex-venerável às vezes não pode se
controlar, porque ele não estava preparado quando exerceu seu mandato
para um dia deixa-lo como soe acontecer nos regimes democráticos e uma
loja maçônica não tem dono justamente por ser uma democracia. Ele se
achou venerável, e não entendeu que apenas estava venerável. Acha que
continua venerável. Este tema abre um leque mais profundo em relação a
analise do poder nas lojas e como ele é manipulado. Este tipo de dono da
loja não é o pior entrave para uma loja. O pior ex-venerável é aquele
tipo de irmão matreiro, político, de fala mansa, que sorri para todo
mundo, abraça a todos três vezes e que se derrete em falsos elogios aos
Irmãos do quadro e procede assim porque é uma das suas estratégias para
se manter no poder eternamente. Ele se vale de bonecos ou títeres para
cobrir uma gestão que por imposições das constituições das potências ele
não pode se reeleger mais de uma ou duas vezes. Em seguida ele volta
gloriosamente na próxima. Mas durante a gestão de seu preposto, quem
dirigirá a loja de fato, será ele. Não de direito, mas de fato. Ele
tomará todas as decisões e o venerável de plantão cumprirá rigorosamente
o que o seu chefe determinar. Geralmente ele tem o seu grupo, formado
por comparsas que são coniventes que antecipadamente já decidiu quem
será o venerável para os próximos seis ou oito anos, mas sempre ele
voltando após as gestões de seus substitutos arranjados ou então apenas
preferirá ser o chefe por trás, nos bastidores, mandando em tudo e por
muito tempo. No fundo a sede de poder, nada mais que uma autoafirmação,
insegurança, incapacidade de ser transparente com seus semelhantes e com
o meio em que vive vaidoso mentiroso geralmente tendo uma visão
unilateral dos processos de interação entres os Irmãos, tornando sua
personalidade a de um verdadeiro psicopata social. Não sabe mais
discernir os seus limites. Não tem sentimentos. Chega a ser uma doença
um desvio de personalidade, e de comportamento. Isto não é bazofia ou
piada. Isto realmente acontece na Maçonaria brasileira num índice maior
do que se pode imaginar, mas não como rotina. Infelizmente esta situação
vem ocorrendo e muitos irmãos fingem não vê-la ou sentila, porque os
membros das lojas com exceção de verdadeiros maçons agem passivamente
como cordeiros, esquecendo que uma loja aberta em sessão é uma tribuna
livre onde ideias são criadas, sonhos são idealizados que podem mover o
mundo, um verdadeiro laboratório social que pode mudar tudo para melhor e
por isso todos os problemas devem ser discutidos e todos devem
participar. Uma situação esdrúxula aconteceu em uma loja que será
omitido o nome da cidade, onde isso ocorreu. Um Irmão destes tipos de
donos da sua loja, fez a sua loja votar o título de “venerável perpétuo”
para ele. Até aí, nada de mais, a loja votou, está votado. Mas ele
exigia que a loja só abrisse os trabalhos em suas sessões normais quando
ele estivesse presente. E ele atrasava sempre cerca cinco a dez
minutos. E aí a sessão começava. Isso é o cúmulo da hipocrisia, tanto
deste sociopata ex-venerável como da loja que aceitava tal situação.
Pasmem! Parece uma estória inventada, mas não é. Isto é verídico! Mas é
bom que se frise que a maioria dos ex-veneráveis não se enquadram nesta
descrição. Existem ainda muitos bons maçons na Ordem. Felizmente a
maioria. São. Irmãos excelentes, preparados, humildes, sabem qual é o
seu lugar dentro de uma loja, bons conselheiros, conhecem o peso de um
malhete, porque já o manejaram quando foram veneráveis. Aprenderam mais
ouvir que falar. A Maçonaria valoriza a Dialética, que é a arte do
dialogo, ou a discussão, como força de argumentação permite que se
contrariem ideias, que elas sejam discutidas em todos os sentidos e que
dessa situação nasça um idéia concreta, inteligente e perfeita, uma
verdadeira síntese de tudo o que foi tratado, desde que venha em favor
da Ordem e da humanidade. Ela prega a igualdade e a liberdade de
pensamento entre seus adeptos. Esta situação de dono de loja é uma das
causas maiores do afastamento de muitos honrados irmãos da Ordem. Se um
irmão, sem medo, com coragem falar em nome da democracia e dos
verdadeiros princípios da Ordem, e isto ferir os desígnios destes
déspotas, este será marcado, perseguido e descriminado. Considerando-se
que temos cerca de seis ou sete mil lojas no Brasil, imagine-se o número
de Irmãos que agem desta forma, considerando-se que a natureza humana é
complexa e estranha, que muitos homens possuem a síndrome do poder em
função de seu DNA animalesco onde um quer ser o dominante sobre o outro,
ou sobre os outros. Geralmente estas pessoas são inseguras, não são
felizes, não estão de bem com a vida e esta forma de querer exercer um
suposto poder sobre os outros é sua maneira de tentar equilibrar seus
próprios defeitos. A síndrome do poder também chamada de síndrome do
pequeno poder é uma atitude de autoritarismo por parte de um individuo
que recebeu um poder e tenta usa-lo de forma absoluta e imperativa sem
se preocupar com os problemas dicotomizados que possam vir a ocasionar. A
síndrome do pequeno poder pode se tornar uma patologia, quando se torna
crônica. Existem aqueles Irmãos que mesmo longe do poder pensam que o
possui. Quando a realidade lhe é mostrada, entram em depressão. Mas a
Maçonaria prega justamente o contrário. Ela é democrática. Quando se
fala em vencer as paixões significa que o maçom deve fazer prevalecer em
seu consciente racional sobre as programações erradas de seu
subconsciente, ou seja, sobre a parte ruim que o ser humano tem dentro
de si. Segundo São Francisco de Assis, é o “burro” ou a “besta” que o
ser humano carrega dentro de sua consciência. Uma das condições mais
exigidas pelos princípios maçônicos é justamente você fazer prevalecer
seu lado bom, vencendo o seu lado mau. A condição para um irmão ser
venerável em primeiro lugar é que ele tenha merecimentos pessoais e que
tenha um conhecimento profundo da ciência maçônica em todos os seus
segmentos, tais como história da Ordem, ritualística, simbologia,
administração, legislação e justiça sendo tudo isso associado à sua
capacidade de liderança. Evidentemente a Maçonaria terá que renovar seus
líderes, para que novas ideias, novos postulados, novos rumos e até
novos paradigmas sejam estudados, adotados e postos em ação. Todavia
correrá o famoso risco: VOCÊ QUER CONHECER UM MAÇOM? DÊ-LHE PODER. Por
fim, enfatiza-se que este trabalho foi escrito para uma minoria de
Irmãos, que são gananciosos do poder. Ressalve-se aqueles Irmãos
ex-veneráveis pessoas intocáveis que não se enquadram neste contexto.
Felizmente, a maioria. Estes são os sustentáculos da Ordem.
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